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Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Dia Internacional da Mulher

A SPM em parceria com os CTT lançou no dia 4 de Outubro um Inteiro Postal Comemorativo para assinalar o nascimento de Maria do Pilar Ribeiro.

Maria do Pilar Ribeiro, sócia nº 1 da SPM, completaria 100 anos a 5 de Outubro de 2011.A professora de matemática foi primeiro secretário da primeira direcção da SPM, de 1940 a 1942,e sócia honorária da sociedade a partir de 2006.

Numa época em que o ensino superior estava vedado à maioria das mulheres, Pilar Ribeiro licenciou-se em matemática pela Faculdade de Ciências de Lisboa, no ano de 1933. Foi aí que conheceu o matemático Hugo Ribeiro, Secretário Geral da SPM em 1946/1947, om quem casou em 1934. Foi uma das fundadoras da SPM, assim como da Gazeta de Matemática.

Em 1947 partiu com o marido para os Estados Unidos da América na sequêcia da perseguição do regime salazarista aos matemáticos trabalhando como instrutora de matemática na Pennsilvanya State University.

O regresso a Portugal deu-se no pós 25 de Abril. Entre 1976 e 1980 trabalhou como professora na Universidade do Porto, a convite de Ruy Luis Gomes e na Escola Biomédica Abel Salazar.

Maria do Pilar Ribeiro faleceu no dia 28 de Março de 2011, aos 99 anos de idade.

In: http://www.clube.spm.pt/arquivo/951





Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

175 Anos da Escola do Exército

Ilustre “maçon” e abastado proprietário ribatejano, nasceu em Santarém em 26 de Setembro de 1795. Estudou matemática e engenharia em Portugal, França e Inglaterra. Lúcido e sagaz, teve uma carreira militar indissociável do percurso político. O Marquês de Sá da Bandeira entrou, com valentia, nas batalhas da Guerra Peninsular, sendo gravemente ferido em 1814. Declarou-se liberal em 1820, tendo sido um dos bravos do Mindelo, em 1832. Bateu-se heroicamente no cerco do Porto, tendo perdido o braço direito durante o combate do Alto da Bandeira. Contribuiu, de forma decisiva, para o êxito dos liberais na guerra civil, quer como combatente quer como ministro da Marinha entre 1832 e 1833. Foi de novo ministro da Marinha e Ultramar de Novembro de 1835 a Abril de 1836 e presidente do ministério e ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros de Novembro de 1836 a Julho de 1837. “Como militar e político, é uma das figuras mais marcantes”, diz José Miguel Sardica. É também o fundador da Escola do Exército, antecessora da Academia Militar.
Ocupou diversas pastas ministeriais entre 1856 e 1865, quando se tornou outra vez presidente do ministério. Voltou à chefia do governo de Julho de 1868 a Agosto de 1869, o primeiro governo reformista propriamente dito. Por fim, foi indigitado para encabeçar novo executivo de 29 de Agosto a 29 de Outubro de 1870, acumulando as pastas da Guerra e da Marinha. “É um raríssimo caso de longevidade política”, diz José Miguel Sardica.
Além disto, o Marquês de Sá da Bandeira tinha uma vocação africanista. “Quando hoje fazemos o balanço dos quatro séculos de implantação em África, da nossa missão civilizacional lá, falamos essencialmente do contributo de Sá da Bandeira”, concretiza o professor universitário. Com grande intuição política, o estadista planeou e pôs em prática medidas administrativas e económicas de forma a desenvolver os territórios africanos sob administração portuguesa, e lutou severamente contra a escravatura. “É ele o autor dessa lei, elogiada pelo escritor francês Victor Hugo, em 1869, que aboliu o chamado ‘comércio odioso’”, refere o professor.
Portugal foi um dos primeiros países a ter a dimensão da relação igualitária entre raças e a acabar com o comércio de negros. E se alguém tem responsabilidade nesta empreitada é Sá da Bandeira. “O Marquês é tão importante em Portugal como Abraham Lincoln nos Estados Unidos”, compara. Sá da Bandeira era um imperialista. “Pensou na missão civilizacional em África com contornos humanitários, coisa que até aí não tinha acontecido”, conclui.




Foi há 175 anos. Mais precisamente a 12 de Janeiro de 1837. Nesse dia, a atual Academia Militar, antiga Escola do Exército, foi fundada pelo Marquês de Sá da Bandeira.
A cerimónia de celebração, dividida em três atos distintos, iniciou com a apresentação do livro «História da Academia Militar; História-Organização-Funcionamento-Ensino no período de 1890-1911» , do antigo Coronel de Infantaria António Ribeiro Gaspar.
De seguida, no salão nobre, foi apresentada uma nova emissão filatélica alusiva ao aniversário, em parceria com os CTT, composta por dois selos e um bloco. O primeiro selo reproduz o fundador da escola, Marquês Sá da Bandeira, e em segundo plano vê-se o edifício do Paço da Bemposta, enquanto o segundo apresenta o brasão de armas da Academia Militar e os logótipos da Escola do Exército e da Academia.
Para finalizar a cerimónia, foi tempo de condecorar militares e civis que de alguma forma honraram e ajudaram a instituição.


Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Dia Internacional da Rádio

A UNESCO, declarou ontem o Dia Internacional da Rádio. Nos próximos anos, o dia 13 de Fevereiro, será assim comemorado.

Em meados do século XX, em que em Portugal não existia ainda televisão, os meios de comunicação eram a Rádio e a Imprensa escrita.

Com programação variada, a Rádio "informava" dentro daquilo que era possível informar no Estado Novo, passava música portuguesa e estrangeira e havia um programa dedicado á Filatelia.

Este programa era passado na Rádio Ribatejo.

Como não possuo um relato desta Rádio, transcrevo do “Boletim do Clube Filatélico de Portugal” nos seus números 31/32 de 1952.



Dizia assim:


Pela primeira vez na rádio portuguesa:



Rádio Ribatejo inaugurou uma secção filatélica semanal.



Depois da Imprensa, a Rádio. Pela primeira vez em Portugal, Rádio Ribatejo que o Sr. Capitão Jaime Varela dos Santos dirige com tanta proficiência e espírito de sacrifício, inaugurou uma secção filatélica, em cujo primeiro número o Sr. Dr. Vasconcelos Carvalho, presidente do nosso Clube, proferiu as seguintes palavras:

Atrazada até há pouco, em relação à maioria dos países estrangeiros, a filatelia portuguesa desenvolveu-se gradualmente nos últimos dez anos e entrou agora numa fase de extraordinário desenvolvimento e prestígio, para o que são de salientar três factores essenciais: O bom senso, o bom gôsto de alguns homens de dinheiro, os leilões filatélicos, e a acção persistente e entusiástica do Clube Filatélico de Portugal. (...).

 
Pela primeira vez na Rádio portuguesa, Rádio Ribatejo, seguindo o exemplo dos grandes países, inaugura hoje uma página filatélica, brilhantemente dirigida por Filipe Domingos.

 
Agradecendo a honra imerecida de me ter escolhido para fazer a abertura, expresso a Filipe Domingos e a Rádio Ribatejo a gratidão de todos os filatelistas portugueses. E faço votos porque o exemplo frutifique (...) e prestigie a filatelia portuguesa que em Setembro de 1953 comemora o primeiro centenário do nosso selo postal, com uma Exposição Internacional e um congresso da Federação Internacional de Filatelia, que a Lisboa trarão alguns dos mais ilustres filatelistas de todo o mundo.

A imagem do selo é de uma emissão de 11 de Outubro de 2005 alusiva à Rádio.



Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Ainda a extinção do selo

Cada vez menos jovens se interessam pela Filatelia e cada vez se escrevem menos cartas.

Não querendo ferir ninguém, culpabilizo os CTT.

São os detentores dos selos. Fazem grande número de emissões por ano. Não há escoamento. Os envelopes, por questão de comudidade (ou lucro), já vêm selados das tipografias. Não divulgam o selo nas escolas para incutir o gosto por este hobbie nos adolescentes.

Temos hoje uma sociedade mecanizada, em que todos fazemos o mesmo, usando para isso as ferramentas que nos estão à mão e que mais fácilmente nos fazem chegar a informação.

São exemplo disso as redes sociais, os emails, os SMS.

Não digo que não sejam importantes.

Contudo, quem coleciona selos hoje em dia?

Os mais velhos, os da minha geração e da geração do meu Pai.

Gente nova, pouca há e, se assim continuar, o selo irá mesmo desaparecer das nossas vidas.

Por isso, os CTT, deveriam apostar na dinamização junto dos jovens, nas escolas e outras instituições, para que, de uma forma mais moderna, aliar o selo às novas tecnologias para que os mais novos por este hobbie tomassem interesse.

Um dia, talvez, a Filatelia se viesse a tornar Ciência. Tinha tudo para isso, se houvesse mais publicações e estudos sobre o selo.

Fica aqui o desafio aos CTT, para que inovem a Filatelia e que um dia, seja matéria de estudo numa qualquer universidade como já o é no Brasil, por exemplo.

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

1º capítulo do livro "Teclas, o Filatelista" de João Paulo Simões

I




O Teclas é um adolescente de 14 anos, bastante inteligente e distraído.

Só vivia para uma coisa – A Internet! Era tão absorto pela net, que passava o dia a navegar por todos os sites de música, MSN para conversar com os amigos. Contudo, era um bom estudante, com muito boas notas.

Chamavam-lhe Teclas por passar tanto tempo agarrado ao computador. O seu verdadeiro nome era José Pedro, mas a família e amigos tratavam-no por Zeca.

Mas vamos continuar a chamar-lhe Teclas.

Um dia, o Teclas andava muito bem a navegar no seu computador a fazer uma pesquisa na Internet. Era para um trabalho para a escola.

A dada altura da sua pesquisa, apareceu-lhe um sítio com imagens de selos. O Teclas sabia o que eram selos, pois lá em casa de vez em quando, lá se recebia uma carta selada, mas nunca se tinha debruçado sobre aquele tema.

Percorreu o sítio, e foi fazendo as suas descobertas. Viu que muitas pessoas colecionavam selos, e que a esse hobbie se chamava Filatelia. Ficou intrigado com a descoberta, mas continuou a sua pesquisa para o trabalho da escola.

Nesse dia à noite, depois do jantar, o Teclas fechou-se no seu quarto, como era hábito nos adolescentes da sua idade. Pegou no telemóvel e, como tinha SMS grátis tal como os seus amigos, começou a enviar mensagens ao seu grupo de amigos.

- Zeca! Vem ajudar a levantar a mesa e depois vai estudar! – Disse-lhe a Mãe.

Não se obteve resposta.

- Zeca! Vem ajudar a levantar a mesa e depois vai estudar! – Repetiu a Mãe.

O Teclas continuava sem responder.

A Mãe dirigiu-se ao quarto dele, abriu a porta, e lá estava o nosso Teclas de fones nos ouvidos a ouvir música e a enviar SMS!

- Zeca! Não me ouviste chamar?

- Hã?!

- Ó Zeca! Vai levantar a mesa e depois vai estudar! – Pediu a Mãe.

Contrariado, o Teclas, lá desligou a música, e de telemóvel na mão, lá veio fazer o que a mãe lhe tinha mandado.

No dia seguinte lá na escola onde andava, o Teclas contou aos seus amigos a descoberta que tinha feito no dia anterior, enquanto andava a pesquisar para o seu trabalho.

Os amigos e colegas riram a bom rir!

- Ó Teclas! Voltaste à pré-história? – Perguntou o Cebola.

Chamavam-lhe o Cebola, porque a sua cabeça parecia de facto uma cebola. E como estes miúdos não deixam escapar nada, o Miguel ficou alcunhado de Cebola.

Todos riam do pobre Teclas. Envergonhado, afastou-se e ficou sossegado num canto do recreio sózinho.

- Ainda te mudamos a alcunha. Em vez de Teclas, passamos a chamar-te Pré-Histórico! – Disse a Andreia.

Risada geral.

Mas como o Teclas não era rapaz de ficar amuado, pois tinha uma personalidade forte, deixou-os falar e, sozinho no seu canto disse para si:

“Ainda vou saber o que é a Filatelia e fazer ver a esta gente que são uns incultos.”

Assim pensou, assim o fez!

Quando as aulas acabaram, correu para casa. Despachou-se a fazer os trabalhos de casa, lanchou e foi consultar a Enciclopédia lá de casa.

A Mãe, quando o viu de livro na mão sentado no sofá, espantou-se.

- Zeca, meu filho? Estás doente? A consultares um volume da enciclopédia, em vez de procurares na Internet?

- Mãe – Disse o Teclas – Isto é um caso de vida ou de morte!

A Mãe, como já lhe conhecia as manhas, nem respondeu. Virou costas e continuou o seu trabalho.

O Teclas leu, releu, consultou outros livros e, claro está, a sua internet.

À hora do jantar, o Teclas continuava agarrado ao computador, e só despertou quando o pai foi ao pé dele para o chamar para jantar e, ao mesmo tempo, aproveitar para ver o que o filho há tanto tempo fazia na Internet.

O pai era muito cauteloso com a Internet, sobretudo na idade que o filho atravessava. É que a Internet tem coisas boas e coisas más. Nunca era demais dar uma vista de olhos aos sítios por onde o Teclas andava e com quem falava lá no MSN.

Quando o pai viu que ele andava a pesquisar sites filatélicos, ficou espantado, mas não disse nada.

Chamou o filho para jantarem, e, quando estavam todos à mesa, o pai inquiriu:

- Então Zeca? Tens uma nova paixão?

- Eu? Porquê?

- Vais dedicar-te à Filatelia?

- Fiquei só curioso. É que ontem quando estava a pesquisar para o meu trabalho de História, apareceu-me uma página a falar dessa cena.

- Não é “cena”. Chama as coisas pelo nome. – Retorquiu a Mãe.

- “Tá bem” Mãe.

- Ó Zeca, pá! Fala português! – Exclamou o Pai.

- Ok! Mas vocês conhecem alguém que colecione selos?

Mas poquê esse interesse tão repentino? – Interrogou o Pai.

- É que lá na escola hoje, gozaram comigo quando contei o que tinha descoberto e quero-lhes dar uma lição de cultura.

- Hum! Estou a gostar de ouvir! – Exclamou a Mãe – Por isso andaste quase a tarde toda a consultar enciclopédias e a internet.

- Foi – Disse o Teclas.

- Bem, acho que tenho a solução para o teu problema. – Disse o Pai – Lá em casa do teu Avô, há uma grande colecção de selos feita por ele. Ninguém melhor do que ele para te explicar todo o processo por que passa o selo, a sua história, e mais! Pode ser que te venhas a interessar por esse hobbie tão cultural!

- Ó Pai, a sério? Não sabia que o Avô era coleccionador!

- Era eu da tua idade, e já ele coleccionava selos!

- Podemos lá ir no fim-de-semana?

- Claro!







Naquela manhã de Sábado, o Teclas e os seus pais, saíram de casa na zona da Mealhada até à Figueira da Foz onde moravam os avós do Teclas.

De cabelo espetado e louro, óculos redondos naquele semblante esguio, o Teclas, no seu corpo magro, vestia uma T-shirt preta com uma caveira na frente, umas calças de ganga coçadas e rasgadas e umas sapatilhas Adidas.

Munido do seu telemóvel, amigo inseparável e do seu Mp4, assim que entrou no carro, ligou o aparelho ao rádio, fazendo ecoar o batuque no seu interior.

- É fixe esta música, não é? – Perguntou o Teclas aos Pais.

- Zeca! Desliga isso! É insuportável! – Exclamou o Pai.

O Teclas, resignado, lá desligou o seu Mp4 do rádio do carro e enfiou os fones nos ouvidos e fez a viagem dentro do seu pequeno mundo.

Chegados à Figueira, aproveitaram o bom tempo para irem até à praia. O Teclas estava desejoso de ir para os Avós, pois queria que o Avô lhe ensinasse tudo sobre os selos.

Ao serão, e já depois de estarem bem instalados na casa dos Avós, o Teclas contou ao Avô o que se tinha passado naquela semana e a sua curiosidade pela Filatelia.

- Bem, Zeca. Se queres de facto saber como nasceu a Filatelia no Mundo, tens muito que ouvir! – Disse o avô.

- “Tá-se” bem! Podes começar. Não me importo de apanhar seca.

- Mas que linguagem Zeca! – Retorquiu o Avô. – Bem vou então contar-te como tudo começou. A sua descoberta deve-se ao inglês Rowland Hill, que foi o grande reformador postal.

Contam que este homem estava de passagem por uma pousada escocesa, quando o carteiro entrou e entregou uma carta à estalajadeira. Ela disse que não podia ficar com ela por custar dois xelins e ser pobre.

Ao ouvir isto, Rowland Hill, pagou os dois xelins ao carteiro, o que a mulher agradeceu, dizendo que tinha empregue mal o dinheiro, pois a carta era da família que vivia longe e, como cada um tinha escrito uma linha, e lhes conhecia a letra, sabia que estavam todos bem.

Hill pensou naquele caso e propôs uma taxa fixa e que os expeditores enviassem as suas cartas em pequenos envelopes que, com um bocadinho de cola a toda a volta, depois de humedecida, se aplicava. Mas esta ideia não foi bem aceite, achando o público aquilo ridículo. Os sacos foram então todos queimados, dando as pessoas valor só à etiqueta que os acompanhava.

Então, para ver o seu plano concretizado, Hill abriu um concurso entre artistas e homens da Ciência, tendo aparecido 2600 planos e 1000 desenhos. Como não ficou satisfeito com nenhum, esboçou ele mesmo um projecto com o perfil da Rainha Vitória tendo no topo a palavra Postage e em baixo a inscrição da taxa. Um gravador copiou o perfil da rainha e cunhou de uma medalha que já tinha sido feita em sua honra.

Era negro, e por isso se chamou Penny-Black e custava um dinheiro

Estava apresentado o primeiro selo do Mundo que circulou a partir de 1 de Maio de 1840. Estava também apresentado que viria a ser o mais potente sinal posto na mão de alguém.

O sucesso foi enorme em Inglaterra, que outros países lhe seguiram o exemplo. As máquinas não davam vazão perante tanta procura.

Presentemente calcula-se que em todo o Mundo circulem 50 biliões de selos. De entre eles, uns quatrocentos milhões não chegam aos serviços dos Coreios indo directamente para os álbuns dos coleccionadores.

- Que história bué da fixe! Então e como surgiram os selos portugueses?

- Os nossos selos surgiram uns anos mais tarde em 1852 e promulgados pela rainha D. Maria II. Mas só em Julho do ano seguinte saíu uma emissão de selos de D. Maria II idêntica à que tinha saído em Inglaterra – o mesmo perfil inspirado na rainha Vitória. O desenho foi confiado a um artista, Francisco Borba Freire, que segue os parâmetros combinadas e depois enviado para a gravação. Depois de feita e aprovada a gravura, é fabricada multiplicando assim as chapas da gravura em folhas de cinquenta ou cem unidades cada uma, sendo depois entregues à Casa da Moeda. O selo de D. Maria II não tem qualquer taxa, pois poderia circular em cartas de qualquer valor. Foi feita uma matriz muito maior do que o seu tamanho normal para ser retocada minuciosamente até ficar pronta. Exactamente como o Penny-Black.

- Amanhã conto-te mais sobre a Filatelia. Agora vou fazer companhia aos teus pais e à tua Avó, que daqui a pouco são horas de deitar.

Resignado, o Teclas, lá deixou o Avô ir ao encontro dos seus familiares. Viu um bocado de televisão, enviou e recebeu vários SMS e depois deitou-se.

Na manhã seguinte, o Teclas levantou-se por volta das onze horas. Foi o ultimo a levantar-se.

- Então rapaz? Adormeceste? – Perguntou o Avô – Olha que tenho umas coisas para te mostrar!

- O quê, Avô?

- Já não te lembras do nosso serão de ontem?

- Ya! Deixa-me só comer alguma coisa. “Tou” esfomeado!

- Quando estiveres pronto vai ter comigo ao escritório – disse o Avô.

Quando chegou perto do Avô, ficou admirado com tantas caixas, envelopes, folhas e álbuns repletos de selos.

- Isto que aqui vês é a minha colecção. Tenho aqui uma fortuna! Espero que alguém da família dê continuidade a isto.

- Fogo! Onde conseguiste tantos? Compraste?

- Alguns juntei, outros fui comprando até juntar aquilo que aqui vês.

- Que fixe! Como é que se começa uma cena dessas?

- Qual cena, Zeca?

- Essa de colecionar selos.

- Então não é cena nenhuma. É colecionar selos.

- Pronto! “Tá-se” bem!...

- Tu queres mesmo aprender a coleccionar? – Perguntou o Avô.

- Quero. “Sério” Avô.

- Então, vou-te ensinar como se começa uma colecção de selos.

Pacientemente, o Avô começou a explicar ao seu neto, como se iniciava uma colecção de selos.

- Primeiro, tens de ter uma ideia daquilo que pretendes coleccionar. Há quem coleccione só selos portugueses, há quem coleccione selos estrangeiros e quem coleccione temáticas.

- Os selos têm temas? – Perguntou o Teclas.

- Claro que sim! Podem-se fazer temas de animais, flora, barcos, automóveis... olha! O que tu quiseres!

- Altamentel! Achas que podia coleccionar carros? Adoro carros!

- Claro que sim. Mas primeiro tens de aprender como coleccionar.

- Então como é?

- Os selos podem ser coleccionados novos ou usados.

- Usados?

- Deixa-me explicar. Um selo novo é um selo que nunca circulou. Nunca foi posto numa carta e carimbado. Logo, tem mais valor. O selo usado é aquele que é comprado nos Correios, colado numa carta e enviado ao destinatário. É carimbado nos correios com uma marca do dia em que foi expedido. Expedido, quer dizer que saíu daquela estação dos CTT. Imagina. Eu resolvo escrever-te uma carta. Meto-a num sobrescrito ou envelope com a tua morada e o teu nome e coloco-lhe um selo. Ponho no marco do correio ou mesmo no Correio. Há hora da saída da correspondência, as cartas são todas carimbadas e seguem o seu destino.

E o Avô continua.

- Daí a dois dias, sensivelmente, tu recebes a minha carta em tua casa. Vês que o selo levou um carimbo. Circulou. É um selo usado. Portanto, a diferença entre um selo novo e um selo usado é que um circulou (de minha casa aqui na Figueira) para a tua lá para os lados da Mealhada. Esta é a primeira noção que deves reter sobre um selo usado e um selo novo.

- Porquê? Há mais?

- Há. Repara...

O Avô do Teclas percorre minuciosamente a sua colecção à procura de algo. O Teclas nem ousa perturbar o raciocínio silencioso do seu Avô.

- Ora aqui está o que procurava! – Exclama o Avô todo satisfeito.

- Vês estes dois selos?

- Ya.

- Que diferenças encontras?

O Teclas aproxima-se mais da secretária do Avô, debruçando-se para examinar bem as diferenças através dos seus óculos redondos.

- Hum... nada de especial!

- Ora vê bem – insistiu o Avô.

- São iguais, mas um tem uns riscos arredondados!

- Ora vês? E o que é que isso quer dizer?

- Sei lá! Não percebo nada disso! – Exclamou o Teclas.

- E isso quer dizer o quê?

- É aquela cena do novo e do usado?

- Exactamente. Mas sabes dizer qual é um e qual é o outro?

O Teclas coça a cabeça e franze o sobrolho.

- Coleccionar selos é complicado, já estou a ver!

- Não sejas preguiçoso, rapaz! Ora pensa um bocadinho naquela história que te acabei de contar.

- Olha, o que não tem nada deve ser novo e o outro é usado. É isso?

- Ah grande Zeca! Muito bem! – Exclamou o Avô – Então agora vamos ver quais são as outras diferenças entre eles.

- Um selo novo, tal como te disse nunca foi usado e tem por trás uma película de goma que depois de humedecida se cola ao sobrescrito.

- O meu Pai e a minha Mãe lambem-nos! – Exclama o Teclas dando gargalhadas.

- Há quem faça isso, há quem ponha um pouco de saliva no dedo e há quem ponha cola. Mas vamos ao que interessa.

O Teclas continuava a rir.

Pacientemente, o Avô esperou que ele parasse de rir para continuar a falar.

- Já riu tudo, o menino?

- Desculpa Avô. Mas a cena de lamber os selos deve ser saboroso – disse o Teclas ainda com mais gargalhadas.

- Não levas nada a sério. Aprende alguma coisa além dos telemóveis e dos computadores! – Disse o Avô com um ar já carrancudo.

- Eu estou a levar a sério e quero aprender. Mas fizeste-me rir ao falar na colagem dos selos.

- Vá lá! Acalma-te lá.

Depois de recomposto, o Teclas continuou a ouvir atentamente o que o Avô lhe dizia.

- Como eu estava a dizer, o selo é humedecido e colado no envelope. É carimbado lá nos Correios e segue o seu destino até à morada do seu receptor. Deixa de ser novo, para passar a ser um selo usado. Imaginemos agora que a pessoa que recebeu a carta em casa, era coleccioadora de selos. Essa pessoa abria o envelope, retirava a carta e, com uma tesoura, recortava o papel do envelope à volta do selo sem o danificar.

- Hum... interessante!

- Depois de ter vários selos nesta situação, o coleccionador pega num recipiente com água morna e coloca lá os selos para que se descolem sózinhos do papel. Depois de descolados, são limpos levemente com a ponta dos dedos para retirar o excesso de goma e postos a escorrer à borda do recipiente. Seguidamente, são colocados num papel mata-borrão, difícil hoje de encontrar, para ficarem bem secos. O seu aspecto depois de secos é meio enrolado. Então, colocam-se dentro de um livro grosso, uma lista telefónica por exemplo, até ficarem direitos. Passados uns dias, são retirados e passam por outro processo que te explico depois do almoço.

- Isto é altamente, Avô!

- É quê?

- Giro!

O Teclas estava entusiasmadíssimo com as explicações do Avô, e durante o almoço fartou-se de lhe fazer perguntas.

- Então, Zeca? Perguntou o Pai – Aprendeste muito esta manhã?

- Claro! O Avô é um fixolas! Acho que vou colecionar selos de automóveis.

- E já tens ideia como isso se faz? – Perguntou a Mãe.

- Mais ou menos. Mas o Avô vai-me ensinar. Não vais Avô?

- Claro que sim. – Disse o Avô sorrindo.

- Tens é de ter bem ciente aquilo que pretendes coleccionar e como. A partir daí, é usares a imaginação – continuou o Avô.

Depois do almoço, decidiram ir passear. O tempo convidava para um passeio à beira-mar, ao longo da Marginal.

O Teclas disse logo que não queria ir. Preferia ficar em casa com o Avô a aprender mais alguma coisa sobre a Filatelia, pois não se tinha esquecido de como tinha sido humilhado pelos colegas.

- Zeca! Vais obrigar o teu Avô a ficar em casa? – Retorquiu a Mãe.

- Deixa lá. Por acaso tenho que fazer. Tenho de organizar uma exposição. Se o Zeca quizer ficar, eu não me importo.

- Vais fazer uma exposição sobre quê, Avô?

- Sobre a história do selo português.

- Lá vou eu aprender mais umas coisas, não é?

- Se de facto queres ser filatelista a sério, tens de aprender!

- Ok, malta! Eu fico em casa com o Avô!

Os Pais e a Avó aprontaram-se e foram passear. O Teclas e o Avô, ficaram em casa, fechados no escritório, tendo como pano de fundo uma imensidão de caixas, classificadores, envelopes, selos espalhados pela secretária, que o avô estava a preparar para a sua exposição daí a uma semana.

- Tão velhinhos, estes selos! – Disse o Teclas.

- Mais velhos do que tu e do que eu, acreditas?

- Do que tu?

- Claro! Não te disse que o primeiro selo português datava de 1852?

- Ya. Tens de dar um desconto! Mas conta lá como apareceu cá essa cena do selo em Portugal.

- Foi em 1852 como já te disse. Mas um pouco de História não te fica nada mal saber. Sabes quem foi D. Maria II?

-Não.

- D. Maria II “nasceu num domingo de Ramos a quatro de Abril de 1819 em terras brasileiras. Seus pais, rei D. Pedro IV e sua mulher a arquiduquesa Leopoldina de Áustria, tiveram a sua primeira filha no Palácio da Boavista. Ali vivia a família real fugindo aos Franceses que tinham invadido o reino. (…) Não teve na pia baptismal mais do que um nome pomposo e um título, como se impunha à sua condição de futura rainha – Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Rafaela Gonzaga, princesa da Beira e do Grão-Pará(…).

Na quinta de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, Maria da Glória vai ter uma infância despreocupada e feliz, educada e muito amada pelas camareiras do palácio e pelos pais. Aos 7 anos, essa alegria é interrompida abruptamente com a morte da mãe. O pai será o seu grande amigo e protector (…). Estava-se no ano de 1822 e a nossa princesa contava com dois anos e meio quando nas margens do rio Ipiranga se dá o grito da independência do Brasil. Em Portugal morre entretanto D. João VI e seu filho, D. Pedro IV, residente no Brasil, vai ter de optar entre ser imperador do Brasil ou rei de Portugal.

Escolhe o Brasil e, em 1826, abdica do trono de Portugal, em nome da filha Maria, apenas com sete anos (…). Esta menina começa a pouco e pouco a aperceber que vai deixar de ser criança e que o seu destino lhe vai impor uma conduta diferente da das outras meninas da sua idade. Aos nove anos é mandada para a corte de Viena para ser educada pela avó materna, mulher de Francisco I(…).

Tem 15 anos quando sobe ao trono D. Maria II, 29º monarca português e a segunda rainha reinante da nossa História (…). O seu primeiro ministério, presidido pelo duque de Palmela, encontra a oposição das Câmaras. Mas, por agora e por motivos políticos, é prioritário que a rainha se case e dê um herdeiro ao País.

Às rainhas de Portugal estava vedado o casamento com estrangeiros e mesmo na Carta Constitucional de 1836 esse preceito ficara expresso. As Câmaras tiveram, pois, de reunir para autorizar que a rainha pudesse casar com um estrangeiro.

Dos diversos noivos que lhe estavam destinados, a madrasta vai-lhe escolher o seu próprio irmão. Fica decidido o casamento com Augusto de Leuchtenberg, neto de Maximiano da Baviera.

(…) O noivo morre dois meses depois. Ainda mal refeita do acontecimento, decidem casá-la de novo com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo Constitucional (…).

Temos de admirar esta rainha que consegue manter a cabeça fria, com um povo em pé de guerra permanente e em casa com uma prole numerosa para educar.

Nos seus 19 anos de reinado, soube sempre ser rainha e mãe ao mesmo tempo, pois, em todas as crises políticas que o país atravessou, estava sempre D. Maria à espera de um filho e as obrigações como governante nunca foram descuradas por esse motivo (…). Se não tivesse sido uma rainha de pulso, não teria acabado o seu reinado já sem guerras civis e proporcionando aos seus filhos que foram reis, reinados com uma certa estabilidade (…).

No seu reinado, apesar das vicissitudes por que passou, houve tempo para o progresso. Em 1835, já fora estabelecido o ensino primário gratuito. Em 1836, por acção de Sá da Bandeira, é decretado o fim do tráfico de escravos nas colónias portuguesas a sul do Equador. O primeiro selo postal a circular em Portugal tinha a sua efígie em branco, moedas de ouro, prata e as primeiras de cobre (…).

A rainha tinha paixão pelo teatro, gosto esse que lhe ficara dos tempos vividos na corte de França.

Vai empenhar-se, apoiada por Garrett, para que se construa um teatro que será edificado no Rossio sobre as ruínas do Palácio da Inquisição – O teatro D. Maria II, segundo projecto de Fortunato Lodi. As obras vão decorrer entre 1842 e 1846. O tecto tinha pinturas de Columbano Bordalo Pinheiro que foram destruídas no incêndio de 1964 (…).

Em 1838, vai comprar o antigo convento dos monges de S. Jerónimo. O palácio começou a ser edificado em 1844. É o mais belo exemplar da arte romântica do nosso país (…).

Infelizmente D. Maria II não pode desfrutar muito deste local maravilhoso, visto que vem a morrer de parto a 15 de Novembro de 1853 (…).”



Nunca Rowland Hill pensou que a sua invenção corresse o mundo e tivesse tantos adeptos!

Por outro lado, o selo português - além de abordar os temas mais diversos, também é um múltiplo de arte, altamente apreciado em todo o mundo, designadamente por filatelistas dos quatro cantos do globo.

- Eia Avô! Tu sabes muita coisa! Onde aprendeste essa história toda da D. Maria?

- Sabes, Zeca. Devemos saber sempre um pouco de tudo. Como diz o ditado, “o saber não ocupa lugar”. E tu devias seguir este exemplo.

- Pois…

Os Pais e a Avó do Teclas chegaram entretanto e foi tempo para um breve lanche, as despedidas e o regresso a casa.

No dia seguinte era dia de trabalho.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Portugal a ganhar!

Pela primeira vez dois clubes de futebol portugueses disputam uma final Europeia de Clubes.


O Futebol Clube do Porto, um Grande Senhor do futebol mundial, instituição centenária de créditos estabelecidos, bi-campeão da Europa, encontrará na final o Sporting Clube de Braga, para alguns a grande

surpresa desta Liga Europa. Mas para os desportistas que acompanham o futebol assiduamente, aqui em

Portugal, nem por isso, dadas as espantosas campanhas que este clube minhoto tem vindo a realizar nos últimos anos, dentro e fora do rectângulo pátrio.

Apesar das simpatias clubísticas poderem estar longe destes dois emblemas de excelência, não haverá

português verdadeiro que não vibre com o significado deste acontecimento: pela primeira vez dois clubes lusitanos disputam uma grande final europeia.

Portugal a ganhar!

Por estes motivos os CTT Correios de Portugal, guardiões da memória histórica dos nossos maiores sucessos, não se podiam alhear do evento de Dublin. E no cumprimento estrito das suas obrigações legais (Estatuto do Selo Postal Português) propõem a todos os coleccionadores, em Portugal e no Mundo, um

Bloco filatélico evocativo desta feliz, mas merecidíssima, ocorrência.
 
 
Dados técnicos
 
Dados Técnicos / Technical Data

Emissão / issue

2011 / 05 / 17

Bloco / souvenir sheet

Com 2 selos / with 2 stamps

€2,00 - 50 000

Créditos / credits

Foto - bloco (fundo)

Photo - souvenir sheet (background)

© Matthew Ashton/AMA/Corbis

Agradecimentos / acknowledgments

Futebol Clube do Porto

Sporting Clube de Braga

Fotos da pagela / brochure photos

FC Porto e SC Braga (emblemas / badges)

©iStockphoto.com/Pgiam (capa / cover)

©iStockphoto.com/Emiliano Rodriguez

(interior / inside)

Papel / paper - FSC 110g / m2

Formato / size

bloco / souvenir sheet: 125 x 95 mm

Picotagem / perforation

Cruz de Cristo / Cross of Christ 13 x 13

Impressão / printing - offset

Impressor / printer - Cartor

Sobrescritos de 1º dia / FDC

C5 – €0,75

Pagela / brochure

€0,70

Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Boas Festas!

O Filatelicamente..., deseja a todos os seus Leitores um Santo Natal.
Não havendo este ano emissões portuguesas natalícias, deixo este postal de Boas Festas a todos.

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Fado, Património Mundial

A candidatura do Fado à Lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade traduz a vontade de proclamar perante a UNESCO a consagração do valor universal do Fado, representando, de forma indissociável, a afirmação de Lisboa.

Com efeito, a Cidade de Lisboa e o Fado estão tão entrelaçados que é válida a afirmação de que o Fado é parte integrante do património cultural da cidade de Lisboa e de que, apesar do carácter nacional que expressa o Fado, Lisboa é um dos elementos centrais que define a sua identidade.

A Câmara Municipal de Lisboa assume, assim, como “sua” a candidatura do Fado à UNESCO tendo em vista a concretização de um objectivo central: garantir a continuidade do Fado, reforçar a sua visibilidade e promover a coexistência da tradição com uma incessante reinterpretação e recriação artísticas.

A Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade assenta em 3 eixos essenciais: um Plano de Salvaguarda, um Plano Pedagógico e um Plano de Edição e de Investigação. Com o Plano de Salvaguarda do Património do Fado visa a CML assegurar um sólido envolvimento da Sociedade Civil, designadamente através de parcerias de cooperação, tanto com Entidades representativas da comunidade do Fado, outros agentes cultursais e públicos como com Entidades museõlógicas e arquivísticas consagradas à preservação e estudo do tema.

No âmbito deste Plano de Salvaguarda assume igual relevância a proposta de constituição do Arquivo Digital de Fonogramas de Fado, com vista a centralizar a informação dos registos dispersos por diferentes arquivos e museus. A concretização deste Arquivo será assegurada através da digitalização, tratamento arquivístico, restauro e programação de base de dados, reunindo os fundos das colecções de fonogramas de fado em suporte de vinil de 78, 33 e 45 rpm na posse de diferentes instituições.

Para a preservação do Fado é, igualmente, fundamental assegurar a sua apropriação pelas sucessivas gerações e comunidades. Neste sentido, é dada a maior atenção ao Programa Educativo, tendo em vista promover gradualmente a integração transversal de conteúdos relacionados com o universo e cultura do Fado nos programas escolares que se estendem desde o nível básico ao nível superior, estabelecendo-se um efectivo diálogo entre a comunidade educativa e toda a comunidade do Fado.

A apropriação do conhecimento e fruição do Fado funda-se necessariamente na fixação, actualização e difusão desta expressão cultural de referência. Sublinham-se, assim, as propostas de um vasto Programa Editorial, de promoção de Circuitos Temáticos de Fado na cidade de Lisboa, visando tornar vivo Fado e tornar viva a relação entre o Fado, a cidade de Lisboa e os vários públicos, a criação de espaços de difusão e reactualização do conhecimento e a dinamização de um programa de divulgação internacional do fado.

Esta é, portanto, uma candidatura com um programa ambicioso.

A sua organização é operacionalizada por uma Comissão Científica, que integra os Prof. Rui Vieira Nery, Salwa El-Shawan Castelo – Branco e Dr.ª Sara Pereira (Directora do Museu do Fado), assessorada por uma Equipa técnica, a qual associa elementos do INET/FCSH, da Universidade Nova de Lisboa e técnicos do Museu do Fado, contando, ainda, com o saber de uma Comissão Consultiva, composta por individualidades de reconhecida notabilidade ligados ao Fado, nomeadamente intérpretes, instrumentistas e compositores.

Para o actual Governo da Cidade de Lisboa, a candidatura do Fado à UNESCO é uma prioridade, tendo já sido aprovada por unanimidade e com louvor pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Assembleia Municipal de Lisboa. Depois desta aprovação, foi já iniciado um roteiro de apresentação e sensibilização das mais altas instâncias do Estado para importância desta candidatura, que é de Lisboa e é, também, de todos os Portugueses.



In:
http://pt-br.facebook.com/pages/FADO-Patrim%C3%B3nio-da-Humanidade/136150693111554?sk=info







ALFREDO MARCENEIRO

Alfredo Rodrigues Duarte (25 de Fevereiro de 1891, Lisboa — 26 de Junho de 1982, Lisboa) mais conhecido como Alfredo Marceneiro devido a sua profissão, foi um fadista português que marcou uma época, detentor de uma voz inconfundível tornando-se um marco deste género da canção em Portugal.

Vida

Alfredo Marceneiro nasceu na freguesia de Santa Isabel e foi-lhe posto o nome de baptismo de Alfredo Rodrigues Duarte.
Era filho de uma família muito humilde. Com a morte do pai teve que deixar a escola primária. Começou então a trabalhar como aprendiz de encadernador para ajudar o sustento da sua mãe e irmãos.

Desde pequeno, sentia grande atracção para a arte de representar e para a música. Junto com amigos começou a dar os primeiros passos cantando o fado em locais populares começando a ser solicitado pela facilidade que cantava e improvisava a letra das canções.

Um dia, conheceu Júlio Janota, fadista improvisador, de profissão marceneiro que o convenceu a seguir esse ofício que lhe daria mais salário e mais tempo disponível para se dedicar à sua paixão.

Alfredo Marceneiro era um rapaz vaidoso. Andava sempre tão bem vestido que ganhou a alcunha de Alfredo Lulu. Era, também, muito namoradeiro. Apaixonou-se por várias raparigas, chegando a ter filhos com duas delas. As aventuras terminaram quando conheceu Judite, amor que durou até à sua morte. e com o qual teve três filhos.

Em 1924, participa no Teatro São Luiz, em Lisboa, na sua primeira Festa do Fado e ganha a medalha de prata num concurso de fados.

Nos anos 30, Alfredo Marceneiro trabalhou nos estaleiros da CUF, onde fazia móveis para navios. Dividia o seu tempo entre as canções e o trabalho. A sua presença nas festas organizadas pelos operários era sempre motivo de alegria.

Em 3 de Janeiro de 1948, foi consagrado o Rei do Fado no Café Luso.

Reformou-se em 1963, após uma carreira recheada de sucessos, numa grande festa de despedida no Teatro São Luiz.

Dos muitos temas que Alfredo Marceneiro cantou destaca-se a Casa da Mariquinha, de autoria do jornalista e poeta Silva Tavares.

Faleceu no dia 26 de Junho de 1982 com 91 anos, na mesma freguesia que o viu nascer, com 91 anos de idade.

No dia 10 de Junho de 1984, foi condecorado, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes.


Wikipédia Março 2007












CARLOS RAMOS











Alfacinha de gema, Carlos Ramos tornou-se num dos fadistas mais queridos do público português, graças à sua voz quente e à sua postura modesta e discreta - e ao anormal número de grandes êxitos que teve, aliás ligados à popularidade crescente do disco e da televisão, meios de comunicação que explorou com grande sucesso no início da década de sessenta. Contudo, poucos se recordam que, apesar da sua apetência pelo fado vir de criança, só tardiamente Carlos Ramos o abraçou como carreira a tempo inteiro.
De facto, Ramos gostava de ficar a ouvir o fado nas tascas de Alcântara, bairro onde nasceu em 1907, e foi como guitarrista acompanhante que iniciou carreira, aprendendo a tocar guitarra portuguesa na adolescência, nos intervalos dos estudos liceais. Estudou para médico, mas a morte do pai, com apenas 18 anos, obrigou-o a trabalhar para sustentar a família, dedicando-se à radio-telegrafia, ofício que aprendera no serviço militar e do qual faria carreira profissional. Continuava, contudo, a tocar e cantar nas horas vagas, primeiro apenas como acompanhante (nomeadamente de Ercília Costa numa digressão americana) depois também como fadista em nome próprio, acompanhando-se a si próprio à guitarra, acabando, a conselho de Filipe Pinto, por se profissionalizar como cantor em 1944. Estreou-se então no Café Luso, no Bairro Alto, criando Senhora do Monte o seu primeiro grande êxito.
Ao longo da sua carreira, Carlos Ramos viria a especializar-se no fado-canção, género inicialmente pensado para os palcos de revista, e no qual conseguiria alguns dos seus maiores êxitos: Não Venhas Tarde e Canto o Fado. Frequentador regular das casas típicas de Lisboa durante as décadas de quarenta e cinquenta, fez também uma breve carreira internacional, participou em revistas e filmes e tornar-se-ia em 1952 artista exclusivo da casa de fado Tipóia, ao lado de Adelina Ramos, de onde sairia para, em 1959, abrir a sua própria casa, A Toca, experiência cujo sucesso não correspondeu às expectativas. Uma trombose ocorrida em meados da década de sessenta viria terminar abruptamente a sua carreira artística. Ramos morreria alguns anos mais tarde, em 1969.








In:

http://www.macua.org/biografias/carlosramos.html


Imagens dos selos: CTT

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Prefácio do livro "Teclas o Filatelista"

João Paulo surpreende-nos neste livro na forma inédita de abordar o mundo do colecionismo. Não é comum encontrar na ficção o tema abordado com a mestria proporcionada na presente obra. Para além, da parte da ficção do nosso “Teclas”, o herói deste livro, transmite-nos muitas informações, dos caminhos a seguir para quem pretenda encontrar no colecionismo um modo de aprender um pouco mais do mundo que o rodeia. A filatelia é aqui abordada numa vertente cultural, sendo esta, a motivação do verdadeiro colecionador. Esta circunstância do livro valoriza-o significativamente.
Incentivar os jovens e os menos jovens em despertarem o gosto pelo colecionismo é uma atitude nobre. Devo referir, que muitos dos nossos museus tiveram origem de quem se interessa por reunir objetos, de os estudar e ordenar. Este livro vai também neste sentido. Certamente quem tiver a curiosidade de o ler verá de uma forma diferente esta atividade cultural.
A Filatelia é sem dúvida uma forma por excelência de colecionismo. O selo postal, depois de observado com mais atenção transmite-nos quase sempre, uma parte significativa da cultura de um povo, e por isso, o torna uma preciosidade divulgadora da sua cultura. Preparar uma coleção, exige da parte do colecionador um grande esforço de investigação despertando no paciente filatelia o gosto pelo saber. A filatelia proporciona-nos este gosto através do labor de uma coleção.
João Paulo desenvolve neste livro, por vezes, uma linguagem muito próxima da utilizada por alguns dos nossos jovens, o que revela a sua atenção à forma como os jovens utilizam a língua portuguesa. Sabemos, se não a utilizarem no seu grupo, poderão ser afastados dele. Com muita sabedoria, João Paulo, consegue levar-nos igualmente a uma reflexão sobre o valor da filatelia, sendo esta, uma boa opção, que nos leva ao conhecimento. Aconselho vivamente a leitura deste livro.

Rui Pais de Carvalho

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

Poucas publicações filatélicas ao público em geral

Como já mencionei aqui, ando a escrever um livro destinado aos jovens dos 14 aos 20 anos. Tem, como já também referi, o título de Teclas, o filatelista, e a missão deste livro, é contribuir para um encremento de publicações filatélicas em Portugal.

Não se escreve muito sobre este asunto, a não ser os Correios de Portugal - CTT - que têm a parte editorial e periódicamente lançam um livro sobre determinado tema.

O meu objectivo é chegar ao público em geral. Sobretudo, incutir nos jovens, o gosto pela Filatelia.

Numa época onde as Novas Tecnologias predominam, muitos hobbies se estão a perder. Este é um deles.

Porque não aliar as Novas Tecnologias ao selo? Um exemplo disso, são os blogues, os sites filatélicos, onde podemos comprar on-line os nossos produtos.

Mas também interessa a parte material.

Interessa que o jovem se interesse pelo selo em si enquanto espécie. Tocá-lo, tratá-lo, conservá-lo e divulgá-lo.

Interessa também que mais cartas circulem, o que hoje já começa a ser caso raro. Sobretudo cartas seladas.

O e-mail veio substituir a carta selada por ser mais rápido.

Poderão perguntar:

O papel, terá tendência a desaparecer?

Na minha opinião, não. de maneira nenhuma!

Um livro em papel, é sempre mais fácil de manusear do que um e-book.

Um selo é sempre mais bonito ao vivo, do que no mnitor de um computador.

A virtualidade é sempre a virtualidade. É o oposto da realidade palpável.

Este repto que deixo aqui hoje, não é só por causa do meu livro.

Este repto é para motivar os jovens ao Coleccionismo, sobretudo à Filatelia.

Aprendemos muito com um selo. Tem a sua própria história.

Colaboro com um jornal como também já aqui referi e estou a falar do primeiro selo português.

Para falar desse selo que tem a efígie de D. Maria II, tenho óbviamente de falar da sua biografia.

Tenho de pesquisar.

Ao pesquisar, estou a aprender e dar a conhecer aos Leitores a história do selo, tal como faço aqui.
Aqueles que lêm as minhas postagens, sabem que é assim.

Temos muito a aprender com a Filatelia e outras Ciências desde que estejamos dispostos a isso.

Por isso, jovens leitores:
Comecem a coleccionar selos e depois digam-me de vossa justiça.