terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Público - CTT lançam selos com cheiro a café e sabor a baunilha

Público - CTT lançam selos com cheiro a café e sabor a baunilha

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

País - Selos com sabor e cheiro - RTP Noticias, Vídeo

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quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Emissão Comemorativa do 1º Centenário da Escola Naval



A primeira escola naval surge, como todos sabemos, pela mão do Infante D. Henrique em Sagres.

Aqui aprendiam a cartografia, astrologia e astronomia para se prepararem para a aventura dos Mares. Não era mais do que isso.

Mais tarde, em 1641, no reinado de D. João IV, o Cosmógrafo-Mor do Reino, dá a sua primeira aula de instrução Náutica.

Em 1761, criou o Conde de Oeiras, a Companhia dos Guarda-Marinha, já com o intuito de formar homens e recrutá-los como oficiais da marinha. Mas, em 1774, o Marquês de Pombal, extinguiu esta companhia e determinou que os guarda-marinha fossem preparados a bordo dos navios.

Martins de Melo, ministro da Marinha em 1779, criou em Lisboa a Academia Real da Marinha que em 1796 se passou a chamar Academia Real dos Guarda-Marinha e restaurou a Companhia dos Guarda-Marinha.

Esta, acaba por ser extinta por Carta de Lei a 23 de Abril de 1845, pelo Ministro José Falcão, criando em sua substituição a Escola Naval.

Nesta escola prepararam-se e preparam-se ainda oficiais da marinha de guerra e mercante.

Relativamente à Filatelia, esta emissão foi desenhada por Martins Barata, representando o emblema da Escola Naval. A gravura é de Gustavo Almeida Araújo e foram tipografados na Casa da Moeda sobre papel liso em folhas de cem selos com denteado 11,5.

Foram postos em circulação a 27 de Dezembro de 1945 e retirados a 9 de Agosto de 1950.


(Baseado em Livros Electrónicos de Carlos Kullberg)

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

1945 - Emissão "Navegadores Portugueses"





Esta emissão foi desenhada por Martins Barata e gravuras a talhe doce por E. Dawson ($10, $30, $35 e 1$00), Maxime Ferré ($50 e 2$00) e Robert Godbehear (1$75 e 3$50). Impressos por Bradbury, Wilkinson & Cia Ltd de Londres, em papel liso, em folhas de cem selos denteado 13,5.
O início de circulação desta série, foi em 29 de Julho de 1945, tendo sido retirada totalmente a 9 de Agosto de 1950.

(Baseado em Livros Electrónicos de Carlos Kullberg)

Olhando para estes vultos, eles fizeram História.
Analizemos cada um deles, para ficarmos a saber o que cada um fez e porquê.
GIL EANES - foi um navegador português, escudeiro do Infante D. Henrique, e cuja biografia permanece ainda pouco conhecida e muito discutida. Foi o primeiro a navegar para além do Cabo Bojador, em 1434, dissipando o terror supersticioso que este promontório inspirava e iniciando assim a época dos "grandes descobrimentos".
O Infante D. Henrique conseguiu incentivar Gil Eanes a tentar a proeza da passagem. Ao dobrar o cabo, reforçou o papel de Portugal como nação marítima. De acordo com Gomes Eanes de Zurara, o Infante o armou cavaleiro e arranjou-lhe um rico casamento.
Sabe-se que em 1446 partiu para a exploração da costa da actual Mauritânia e combate aos Muçulmanos que tentavam impedir os progressos da navegação portuguesa através da pirataria, de onde trouxeram o maior número de escravos de sempre. Regressou a meio da viagem devido ao mau tempo, não havendo mais dados biográficos concretos a partir dessa data, embora alguns historiadores afirmem que continuou a sua vida em Lagos. Este navegador permitiu um grande avanço na época dos descobrimentos.
Entre 1424 e 1433, D Henrique enviou 15 expedições com a pesada missão de sobrepujar o cabo maldito. Todas Fracassaram.
O Cabo bojador era conhecido como cabo do medo. A 5 quilômetros da costa do cabo, em alto mar a profundidade é de apenas 2 metros, provavelmente devido ao assoreamento provocado por milhares de anos de tempestades de areia sopradas pelo deserto do Saara. Ondas altíssimas e recifes de arestas pontiagudas, fervilham àquela região tornando a navegação muito arriscada.
Em maio de 1434, Gil Eanes aparelhou uma barca de 30 toneladas, com um só mastro, e uma única vela redonda e também movida a remos e parcialmente coberta. Com ela ao chegar nas proximidades do cabo do medo, decidiu manobrar para oeste afastando-se da costa africana. Após um dia inteiro de navegação longe da costa, deparou com uma baía plácida de ventos amenos, e então dobrou para sudeste e logo percebeu que havia deixado o cabo bojador para trás.
JOÃO GONÇALVES ZARCO - foi um navegador português e cavaleiro fidalgo da Casa do Infante D. Henrique. Comandante de barcas, foi escolhido pelo Infante para organizar o povoamento e administrar por si a Ilha da Madeira, na parte do Funchal, a partir de cerca de 1425.
Pouco ou nada se sabe de concreto sobre os antecedentes de Zarco, sendo provável que tenha estado na conquista de Ceuta em 1415, e que os bons serviços prestados então tenham sido decisivos para a sua escolha pelo Infante D. Henrique para liderar o seu projecto de colonização do Arquipélago da Madeira, já conhecido desde meados do século XIV [2], mas até então despovoado e apenas usado esporadicamente para aguada e descanso das tripulações de navios que ali eventualmente chegavam. Zarco até 1460 aparece documentado como João Gonçalves Zargo, assinando Zargo[3]. Zargo ou Zarco seria eventualmente o seu nome de família, e de facto muitos Zarcos estão documentados nos arquivos da Torre do Tombo, a quase totalidade dos quais de nação Hebraica[4].
Zarco usou o nome e sempre assinou por ele[3], pelo que é possível que fosse realmente o seu apelido de família. Em 1460 o Rei D. Afonso V atribui armas e o apelido de família Câmara de Lobos a João Gonçalves Zarco [5], que passa a partir de então a designar-se por João Gonçalves de Câmara, nunca usando, no entanto, o apelido na sua forma composta original. A troca, a partir de 1460, do nome "Zargo" pelo "de Câmara", é uma forte evidência de que Zargo seria, de facto, o seu nome de família.
[editar] Biografia
Terá participado na tomada de Ceuta em 1415, já ao serviço do Infante D. Henrique, após o que este o terá nomeado comandante de uma embarcação cuja missão era patrulhar a Costa Sul de Portugal, uma vez que eram frequentes, naquele litoral, as razias de piratas da Barbária. Assim, cedo se tornou mestre na arte de marear, reconhecendo, em 1418, a ilha de Porto Santo e, no ano seguinte (1419), a ilha principal do que é hoje o arquipélago da Madeira.
João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira reconheceram o arquipélago da Madeira em 1418, presumindo-se que terão sido arrastados para a ilha de Porto Santo quando se preparavam para explorar a costa da África e atingir a Guiné, numa viagem a mando do Infante. Regressados a Portugal, os navegadores persuadiram D. Henrique das vantagens de estabelecer na ilha recém-descoberta uma colónia permanente, e a ela regressaram, desta vez acompanhados de Bartolomeu Perestrelo, levando cereais e coelhos. Estes últimos proliferaram ao ponto de se tornarem uma praga.
De Porto Santo, o navegador passou à Ilha da Madeira, a cuja colonização o Infante D. Henrique deu início em 1425. Confirmando uma situação de facto, o Infante concedeu a João Gonçalves, em 1450, a Capitania do Funchal. Na qualidade de homem da casa do Infante, Zarco participou no cerco de Tânger, onde foi armado cavaleiro, em 1437.
A 4 de Julho de 1460, por concessão de D. Afonso V (1438-1481) em Santarém, Zarco passou a ostentar o apelido Câmara, derivado de Câmara de Lobos, designação atribuída pelo navegador a um local da Ilha da Madeira onde descobriu grande quantidade daqueles animais.
Casou-se com Constança Rodrigues, com quem teve sete descendentes (três varões e quatro damas).
Os seus descendentes mantiveram o sobrenome Câmara e aboliram o de Lobo. Diz o cronista que:
...seguiu desde novo a carreira marítima, exercendo o comando das caravelas que vigiavam as costas do Algarve. Quando D. Henrique se lançou no caminho das explorações, foi o primeiro que se ofereceu para o coadjuvar. D. Henrique, em 1418, mandou preparar um barco, e entregando-o a João Gonçalves Zarco e a Tristão Vaz Teixeira, mandou-os demandar terras desconhecidas ou procurar ilhas que apareciam nos mapas, a que teriam aportado há 50 ou 60 anos outros navegadores port. Zarco chegou depois de dias de viagem à ilha que batizou Porto Santo, voltando a Portugal dar conta do resultado. O infante ficou satisfeito e tratou logo de colonizar a ilha. Ordenou a ele e a Vaz Teixeira voltar a Porto Santo, dando-lhes por companheiro outro criado da sua casa, Bartolomeu Perestrelo. Nessa viagem descobriram ou demandaram a ilha da Madeira, saindo Tristão Vaz e Gonçalves Zarco do Porto Santo no dia 1º de julho de 1419, e indo aportar à Madeira no ponto a que chamaram de São Lourenço, por ser «S. Lourenço» nome do navio que os conduzia. Fizeram ao redor da ilha viagem de circumnavegação, e foram pondo nomes aos diferentes acidentes da costa. A principal baía recebeu nome de Baía do Funchal; uma grande lapa onde se escondiam muitos lobos que caçaram, o nome de Câmara de Lobos, tomando desse sitio Zarco e os seus descendentes o apelido de Câmara. Voltando a Portugal, receberam o premio. O infante confirmou a Zarco o apelido de Câmara, e deu-lhe por armas um escudo em campo verde, e nele uma torre de menagem com cruz de ouro, e dois lobos encostados à torre com paquife e folhagens vermelhas e verdes; e por timbre outro lobo em cima do paquife. Além disso, dividindo a ilha em duas capitanias, fez mercê de uma, a do Funchal, a Zarco. Partiu este para a sua ilha, depois de ter casado, e se entregou à colonização da sua propriedade. Não se esqueceu dos deveres de cavaleiro, nem da gratidão que devia ao infante. Quando D. Henrique quis tentar a expedição de Tanger, veio pôr-se à disposição. No cerco de Tanger foi armado cavaleiro pelo infante, e tendo escapado com vida a essa desastrosa expedição, tornou para a Madeira, onde, aproveitando suas ricas matas, fez construir navios com que de vez em quando auxiliou o infante nas suas expedições de descobrimento além do cabo Bojador. Parece ter sido o 1o que pôs a artilharia a bordo. Esses instrumentos guerreiros eram imperfeitos e de bem pouco serviam. Os navios de Zarco figuraram nos descobrimentos para além do cabo Bojador. Um sobrinho, Álvaro Fernandes, foi dos descobridores mais audaciosos. O ramo principal da sua casa é hoje representado pelos descendentes dos condes e marqueses da Ribeira Grande.
Faleceu em idade avançada, sendo sepultado no Funchal, na Capela de Nossa Senhora da Conceição, que ele próprio mandara edificar em 1430, muito embora o mausoléu tenha sido demolido, por razões de espaço, em 1768, a pedido da abadessa do Convento de Santa Clara, no qual fora, entretanto, integrada a pequena capela quatrocentista.
BARTOLOMEU DIAS - foi um navegador português que ficou célebre por ter sido o primeiro europeu a navegar para além do extremo sul de África, "dobrando" o Cabo da Boa Esperança e chegando ao oceano Índico a partir do Atlântico.
Dele não se conhecem os antepassados, mas mercês e armas a ele outorgadas passaram a seus descendentes. Seu irmão foi Diogo Dias. Há quem o diga descendente de Dinis Dias escudeiro de D. João I e como navegador descobrira Cabo Verde em 1445. Ignora-se onde e quando nasceu, no entanto alguns historiadores sustentam ter ele nascido em Mirandela, Trás-os-Montes. Sobre a sua família sabe-se apenas que um parente Dinis Dias e Fernandes, na década de 1440 terá comandado expedições marítimas ao longo da costa do Norte de África, tendo visitado as ilhas de Cabo Verde.
Na sua juventude terá frequentado as aulas de Matemática e Astronomia na Universidade de Lisboa e serviu na fortaleza de São Jorge da Mina. Estava habilitado quer a determinar as coordenadas de um local, quer a enfrentar tempestades e calmarias como as do Golfo da Guiné.
Em 1486, D. João II confiou-lhe o comando de duas caravelas e de uma naveta de mantimentos com o intuito público de saber notícias do Preste João. Ao comando da caravela S. Pantaleão estava João Infante. O propósito não declarado da expedição seria investigar a verdadeira extensão para Sul das costas do continente africano, de forma a avaliar a possibilidade de um caminho marítimo para a Índia. Porém antes disso, capitaneara um navio na expedição de Diogo de Azambuja ao Golfo da Guiné.

Rota da viagem de Bartomoleu Dias (1487-88)
Marinheiro experiente, o primeiro a chegar ao Cabo das Tormentas, como o batizou em 1488 (chamado assim pois lá encontrou grandes vendavais e tempestades), um dos mais importantes acontecimentos da história das navegações. A expedição partiu de Lisboa em Agosto de 1487 a bordo levavam dois negros e quatro negras, capturados por Diogo Cão na costa ocidental africana. Bem alimentados e vestidos, serão largados na costa oriental para que testemunhem junto daquelas populações daquelas regiões a bondade e grandeza dos portugueses, e ao mesmo tempo recolher informações sobre o reino do Preste João. Em Dezembro atingiu a costa da actual Namíbia, o ponto mais a sul cartografado pela expedição de Diogo Cão. Continuando para sul, descobriu primeiro a Angra dos Ilhéus, sendo assaltado, em seguida, por um violento temporal. Treze dias depois, procurou a costa, encontrando apenas o mar. Aproveitando os ventos vindos da Antártica que sopram vigorosamente no Atlântico Sul, navegou para nordeste, redescobrindo a costa, que aí já tinha a orientação este-oeste e norte (já para leste do Cabo da Boa Esperança, que foi renomeado pelo rei português D. João II, assegurando a esperança de se chegar à Índia, para comprar as tão necessárias especiarias e outros artigos de luxo. Antes para se chegar à Índia era preciso apenas cruzar o Mar Mediterrâneo passando por Gênova e Veneza, que eram grandes centros comerciais graças ao Renascimento, só que eram agora dominados pelos turcos. Precisando então cruzar o Atlântico, chamado naquele tempo de O Mar Tenebroso, acreditando-se que nele havia monstros devoradores de embarcações e dar a volta na África, para se chegar à Índia), continuou para leste, cartografando diversas baias da costa da actual África do Sul (úteis no futuro como portos naturais), e chegando até à baía de Algoa (800 km a leste do cabo da Boa Esperança).

Bartolomeu Dias e os seus marinheiros no meio de uma tempestade, antes de chegar ao Cabo da Boa Esperança
então conhecido como Cabo das Tormentas.
No entanto, a tripulação revoltada obrigou o capitão a regressar a Portugal pela linha da costa para oeste. No regresso, com a costa sempre visível, descobriu o Cabo das Agulhas, o ponto mais a sul do continente, e o Cabo das Tormentas, actual Cabo da Boa Esperança, cuja longitude tinha contornado por alto mar na viagem de ida, nessa viagem de volta colocou padrões de pedra nos principais pontos descobertos: a atual False Island, a ponta do Cabo das Tormentas, então descoberto, e o Cabo da Volta, hoje Diaz Point. Regressou a Lisboa em Dezembro de 1488.O sucesso da sua descoberta do caminho para a Índia não foi recompensado.
Acompanhou a construção dos navios e acompanhou a esquadra de Vasco da Gama, em 1499 como capitão de um dos navios que tinha como destino até São Jorge da Mina. A expedição partiu em 1497. Em 1500, acompanhou Pedro Álvares Cabral na famosa viagem em que este descobriu o Brasil. Quando a frota seguia para a Índia, o navio em que ia Bartolomeu Dias naufragou e o valente marinheiro achou a morte junto da sua descoberta mais famosa - o Cabo da Boa Esperança.
Bartolomeu Dias foi o primeiro navegador a navegar longe da costa no Atlântico Sul. A sua viagem, continuada por Vasco da Gama, abriu o caminho maritimo para a Índia.
Seria em 1500 o principal navegador da esquadra de Pedro Álvares Cabral. A carta de Pero Vaz de Caminha faz diversas referências a ele, apontando para a confiança que nele tinha o capitão-mor. Quando a armada de Cabral navegava em direção ao Cabo, após sua estada no Brasil, um forte temporal causou o naufrágio de quatro naus, entre elas a sua própria.
VASCO DA GAMA - foi um navegador e explorador português. Na Era dos Descobrimentos, destacou-se por ter sido o comandante dos primeiros navios a navegar directamente da Europa para a Índia, na mais longa viagem oceânica até então realizada, superior a uma volta completa ao mundo pelo equador[1]. No fim da vida foi, por um breve período, governador da Índia portuguesa com o título de vice-rei.
Vasco da Gama nasceu provavelmente em 1460[2] ou 1469[3], em Sines, na costa sudoeste de Portugal, possivelmente numa casa perto da igreja de Nossa Senhora das Salas. Sines, um dos poucos portos da costa alentejana, era então uma pequena povoação de casas habitadas por pescadores.
Vasco da Gama era filho de Estêvão da Gama, que em 1460 era cavaleiro da casa de D.Fernando de Portugal, Duque de Viseu.[4] D. Fernando nomeara-o alcaide-mor de Sines e permitira-lhe receber uma pequena receita de impostos sobre a fabricação de sabão em Estremoz. Estêvão da Gama era casado com Dona Isabel Sodré, filha de João Sodré (também conhecido como João de Resende). Sodré, que era de ascendência Inglesa, tinha ligações à casa do príncipe Diogo, Duque de Viseu, filho do rei D.Duarte I de Portugal e governador da Ordem Militar de Cristo. [5]
Pouco se sabe do início da vida de Vasco da Gama. Foi sugerido pelo historiador Português Teixeira de Aragão, que terá estudado em Évora, onde poderá ter aprendido matemática e navegação. É evidente que Vasco da Gama conhecia bem a astronomia, e é possível que tenha estudado com o astrónomo Abraão Zacuto.[6]
Em 1492, o rei D. João II de Portugal enviou Vasco Gama ao porto de Setúbal, a sul de Lisboa e ao Algarve para capturar navios franceses em retaliação por depredações feitas em tempo de paz contra a navegação Portuguesa - uma tarefa que o Vasco da Gama executou rápida e eficazmente.
Desde o início do século XV, impulsionados pelo Infante D. Henrique, os portugueses vinham aprofundando o conhecimento sobre o litoral Africano. A partir da década de 1460, a meta tornara-se conseguir contornar a extremidade sul do continente africano para assim aceder às riquezas da Índia - pimenta preta e outras especiarias - estabelecendo uma rota marítima de confiança. A República de Veneza dominava grande parte das rotas comerciais entre a Europa e a Ásia, e desde 1453 a tomada de Constantonopla pelos otomanos limitara o comércio e aumentara os custos. Portugal pretendia usar a rota iniciada por Bartolomeu Dias para quebrar o monopólio do comércio mediterrânico.
Quando Vasco da Gama tinha cerca de dez anos, esses planos de longo prazo estavam perto de ser concretizados: Bartolomeu Dias tinha retornado de dobrar o Cabo da Boa Esperança, depois de explorar o "Rio do Infante" (Great Fish River, na actual África do Sul) e após ter verificado que a costa desconhecida se estendia para o nordeste.
Em simultâneo foram feitas explorações por terra durante o reinado de D. João II de Portugal, suportando a teoria de que a Índia era acessível por mar a partir do Oceano Atlântico. Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva foram enviados via Barcelona, Nápoles e Rodes até Alexandria, porta para Aden, Ormuz e Índia.
Faltava apenas um navegador comprovar a ligação entre os achados de Bartolomeu Dias e os de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, para inaugurar uma rota de comércio potencialmente lucrativa para o Oceano Índico. A tarefa fora inicialmente atribuida por D. João II a Estevão da Gama, pai de Vasco da Gama. Contudo, dada a morte de ambos, em Julho de 1497 o comando da expedição foi delegado pelo novo rei D. Manuel I de Portugal a Vasco da Gama, possivelmente tendo em conta o seu desempenho ao proteger os interesses comerciais portugueses de depredações pelos franceses ao longo da Costa do Ouro Africana.
D. Manuel I de Portugal confiou a Vasco da Gama o cargo de capitão-mor da frota que, num sábado 8 de Julho de 1497, zarpou de Belém em demanda da Índia.
Era uma expedição essencialmene exploratória que levava cartas do rei D. Manuel I para os reinos a visitar, padrões para colocar, e que fora equipada por Bartolomeu Dias com alguns produtos que haviam provado ser úteis nas suas viagens, para as trocas com o comércio local. O único testemunho presencial da viagem é consta num diário de bordo anónimo, atribuído a Álvaro Velho[7]:
Contava com cerca de cento e setenta homens, entre marinheiros, soldados e religiosos, distribuídos por quatro embarcações[8]:
São Gabriel, uma carraca de 27 metros de comprimento e 178 toneladas, construída especialmente para esta viagem, comandada pelo próprio Vasco da Gama;
São Rafael, de dimensões semelhantes à São Gabriel, também construída especialmente para esta viagem, comandada por Paulo da Gama, seu irmão; no regresso, com a tripulação dimunuida, foi abatida em Melinde, prosseguindo na Bérrio e São Gabriel.
Bérrio, uma caravela ligeiramente menor que as anteriores, oferecida por D. Manuel de Bérrio, seu proprietário, sob o comando de Nicolau Coelho;
São Miguel, uma carraca para transporte de mantimentos, sob o comando de Gonçalo Nunes, que viria a ser queimada na ida, perto da baía de São Brás, na costa oriental africana.[4]
A expedição partiu de Lisboa, acompanhada por Bartolomeu Dias que seguia numa caravela rumo à Mina, seguindo a rota já experimentada pelos anteriores exploradores ao longo da costa de África, através de Tenerife e do Arquipélago de Cabo Verde. Após atingir a costa da atual Serra Leoa, Vasco da Gama desviou-se para o sul em mar aberto, cruzando a linha do Equador, em demanda dos ventos vindos do oeste do Atlântico Sul, que Bartolomeu Dias já havia identificado desde 1487. Esta manobra de "volta do mar" foi bem sucedida e, a 4 de Novembro de 1497, a expedição atingiu novamente o litoral Africano. Após mais de três meses, os navios tinham navegado mais de 6.000 quilómetros de mar aberto, a viagem mais longa até realizada em alto mar[9].

A 16 de Dezembro, a frota já tinha ultrapassado o chamado "rio do Infante" ("Great Fish River", na atual África do Sul) - de onde Bartolomeu Dias havia retornado anteriormente - e navegou em águas até então desconhecidas para os europeus. No dia de Natal, Gama e sua tripulação batizaram a costa em que navegavam o nome de Natal (actual província KwaZulu-Natal da África do Sul).
A 2 de Março de 1498, completando o contorno da costa africana, a armada chegou à costa de Moçambique, após haver sofrido fortes temporais e de Vasco da Gama ter sufocado com mão de ferro uma revolta da marinhagem. Na costa Leste Africana, os territórios controlados por muçulmanos integravam a rede de comércio no Oceano Índico. Em Moçambique encontram os primeiros mercadores indianos. Inicialmente são bem recebidos pelo sultão, que os confunde com muçulmanos e disponibiliza dois pilotos. Temendo que a população fosse hostil aos cristãos, tentam manter o equívoco mas, após uma série de mal entendidos, foram forçados por uma multidão hostil a fugir de Moçambique, e zarparam do porto disparando os seus canhões contra a cidade[10][11].
O piloto que o sultão da ilha de Moçambique ofereceu para os conduzir à Índia havia sido secretamente incumbido de entregar os navios portugueses aos mouros em Mombaça. Um acaso fez descobrir a cilada e Vasco da Gama pôde continuar.

Pilar de Vasco da Gama em Melinde
Na costa do actual Quénia a expedição saqueou navios mercantes árabes desarmados. Os portugueses tornaram-se conhecidos como os primeiros europeus a visitar o porto de Mombaça, mas foram recebidos com hostilidade e logo partiram.
Em Fevereiro de 1498, Vasco da Gama seguiu para norte, desembarcando no amistoso porto de Melinde - rival de Mombaça - onde foi bem recebido pelo sultão que lhe forneceu um piloto árabe, conhecedor do Oceano Índico, cujo conhecimento dos ventos de monções permitiu guiar a expedição até Calecute, na costa sudoeste da Índia. As fontes divergem quanto à identidade do piloto, identificando-o por vezes como um cristão, um muçulmano e um guzerate. Uma história tradicional descreve o piloto como o famoso navegador árabe Ibn Majid, mas relatos contemporâneos posicionam Majid lugar noutro local naquele momento[12].
[editar] Chegada a Calecute

Chegada de Vasco da Gama a Calecute (ilustração de edição de "Os Lusíadas", 1880).
Em 20 de Maio de 1498, a frota alcançou Kappakadavu, próxima a Calecute, no actual estado indiano de Kerala[13], ficando estabelecida a Rota do Cabo e aberto o caminho marítimo dos Europeus para a Índia. No dia seguinte à chegada, entre a multidão reunida na praia, foram saudados por dois mouros de Tunes (Tunísia), um dos quais dirigiu-se em castelhano «Ao diabo que te dou; quem te trouxe cá?». E perguntaram-lhe o que vínhamos buscar tão longe; e ele respondeu: «Vimos buscar cristãos e especiaria.», conforme relatado por Álvaro Velho. Ao ver as imagens de deuses Hindus Gama e os seus homens pensaram tratar-se de santos cristãos, por contraste com os muçulmanos que não tinham imagens. A crença nos "cristãos da Índia", como então lhes chamaram, perdurou algum tempo mesmo depois do regresso[14].
Contudo as negociações com o governador local, Samutiri Manavikraman Rajá, Samorim de Calecute, foram difíceis. Os esforços de Vasco da Gama para obter condições comerciais favoráveis foram dificultados pela diferença de culturas e pelo baixo valor de suas mercadorias[15] , com os representantes do samorim a escarnecerem das suas ofertas, e os mercadores árabes aí estabelecidos a resistir à possibilidade de concorrência indesejada. As mercadorias apresentadas pelos portugueses mostraram-se insuficientes para impressionar o samorim, em comparação com os bens de alto valor ali comerciados, o que gerou alguma desconfiança. Os portugueses acabariam por vender as suas mercadorias por baixo preço para poderem comprar pequenas quantidades de especiarias e jóias para levar para o reino.
Por fim o Samorim mostrou-se agradado com as cartas de D. Manuel I e Vasco da Gama conseguiu obter uma carta ambígua de concessão de direitos para comerciar, mas acabou por partir sem aviso após o Samorim e o seu chefe da Marinha Kunjali Marakkar insistirem para que deixasse todos os seus bens como garantia. Vasco da Gama manteve os seus bens, mas deixou alguns portugueses com ordens para iniciar uma feitoria.
[editar] Regresso a Portugal
Vasco da Gama iniciou a viagem de regresso a 29 de Agosto de 1498. Na ânsia de partir, ignorou o conhecimento local sobre os padrões da monção que lhe permitiria velejar. Na Ilha de Angediva foram abordados por um homem que se afirmava cristão mas que se fingia de muçulmano ao serviço de Hidalcão, o sultão de Bijapur. Suspeitando deste personagem, açoitaram-no até que ele confessou ser um aventureiro judeu polaco no Oriente. Vasco da Gama apadrinhou-o, nomeando-o Gaspar da Gama.
Na viagem de ida, cruzar o Índico até à Índia com o auxílio dos ventos de monção demorara apenas 23 dias. A de regresso, navegando contra o vento, consumiu 132 dias, tendo as embarcações aportado em Melinde a 7 de Janeiro de 1499. Nesta viagem cerca de metade da tripulação sobrevivente pereceu, e muitos dos restantes foram severamente atingidos pelo escorbuto. Apenas duas das embarcações que partiram do Tejo conseguiram voltar a Portugal, chegando, respectivamente em Julho e Agosto de 1499.[16] A caravela Bérrio, sendo a mais leve e rápida da frota, foi a primeira a regressar a Lisboa, onde aportou a 10 de Julho de 1499, sob o comando de Nicolau Coelho e tendo como piloto Pêro Escobar, que mais tarde acompanhariam a frota de Pedro Álvares Cabral na viagem em que se registrou o descobrimento do Brasil em Abril de 1500.
Vasco da Gama regressou a Portugal em Setembro de 1499, um mês depois de seus companheiros, pois teve de sepultar o irmão mais velho Paulo da Gama, que adoecera e acabara por falecer na ilha Terceira, nos Açores. Em seu regresso, foi recompensado como o homem que finalizara um plano que levara oitenta anos a cumprir. Recebeu o título de "almirante-mor dos Mares das Índia", [17] sendo lhe concedida uma renda de trezentos mil réis anuais, que passaria para os filhos que tivesse. Recebeu ainda, conjuntamente com os irmãos, o título perpétuo de Dom e duas vilas, Sines e Vila Nova de Milfontes.[18].
Segunda viagem à Índia (1502)
A 12 de Fevereiro de 1502, Vasco da Gama comandou nova expedição com uma frota de vinte navios de guerra, com o objetivo de fazer cumprir os interesses portugueses no oriente. Fora convidado após a recusa de Pedro Álvares Cabral, que se desentendera com o monarca acerca do comando da expedição. Esta viagem ocorreu depois da segunda armada à Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral em 1500, que ao desviar-se da rota descobrira o Brasil. Quando chegou à Índia, Cabral soube que os portugueses que haviam sido aí deixados por Vasco da Gama na primeira viagem para estabelecer um posto comercial haviam sido mortos. Após bombardear Calecute, rumou para o sul até Cochim, um pequeno reino rival, onde foi calorosamente recebido pelo Rajá, regressando à Europa com seda e ouro.
Gama tomou e exigiu um tributo à ilha de Quíloa na África Oriental, um dos portos de domínio árabe que haviam combatido os portugueses, tornando-a tributária de Portugal. Com ouro proveniente de 500 moedas trazidas por Vasco da Gama do régulo de Quíloa (actual Kilwa Kisiwani, na Tanzânia), como tributo de vassalagem ao rei de Portugal, foi mandada criar, pelo rei D. Manuel I para o Mosteiro dos Jerónimos, a Custódia de Belém.
Nesta viagem ocorreu o primeiro registo europeu conhecido do avistamento das ilhas Seychelles, que Vasco da Gama nomeou Ilhas Amirante (ilhas do Almirante) em sua própria honra.
Vasco da Gama partira com o objectivo de instalar o centro português e uma feitoria em Cochim, após esforços consecutivos de Pedro Álvares Cabral e João da Nova. Bombardeou Calecute e destruiu postos de comércio árabes.
Depois de chegar ao norte do Oceano Índico, Vasco da Gama aguardou até capturar um navio que retornava de Meca, o Mîrî, com importantes mercadores muçulmanos, apreendendo todas as mercadorias e incendiando-o[19]. Ao chegar a Calecute a 30 de de Outubro 1502 o samorim estava disposto a assinar um tratado. [20] num acto de ferocidade que chocou até os cronistas contemporâneos, que o consideraram um acto e vingança pelos portugueses mortos em Calecute da sua primeira viagem.
Em 1 de Março de 1503 inicia-se a guerra entre o samorim de Calecute e o rajá de Cochim. Os seus navios assaltaram navios mercantes árabes, destruindo também uma frota de 29 navios de Calecute. Após essa batalha, obteve então concessões comerciais favoráveis do Samorim. Vasco da Gama fundou a colónia portuguesa de Cochim, na Índia, regressando a Portugal em Setembro de 1503.
Terceira viagem à Índia (1524)
Em 1519 foi feito primeiro Conde da Vidigueira pelo rei D. Manuel I, com sede num terreno comprado a D. Jaime I, Duque de Bragança, que a 4 de Novembro cedera as vilas da Vidigueira e Vila de Frades a Vasco da Gama, seus herdeiros e sucessores, bem como todos os rendimentos e privilégios relacionados[21], sendo o primeiro Conde português sem sangue real.
Tendo adquirido uma reputação de temível "solucionador" de problemas na Índia, Vasco da Gama foi enviado de novo para o subcontinente indiano em 1524. O objectivo era o de que ele substituisse o vice-rei Duarte de Meneses, cujo governo se revelava desastroso, mas Vasco da Gama contraiu malária pouco depois de chegar a Goa. Como governador e segundo vice-rei actuou com rigidez e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer na cidade de Cochim, na véspera de Natal em 1524.

Túmulo de Vasco da Gama no Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa
Foi sepultado na Igreja de São Francisco (Cochim). Em 1539 os seus restos mortais foram transladados para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada), próximo da vila alentejana da Vidigueira, como conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja a si e aos seus descendentes) desde 1519.
Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos, que foram construídos logo após a sua viagem, com os primeiros lucros do comércio de especiarias, ficando ao lado do túmulo de Luís Vaz de Camões. Há quem defenda, porém, que os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram na vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador na Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.
Legado

Estátua de Vasco da Gama na sua terra natal, Sines, Portugal
O comércio de especiarias viria a ser um trunfo para a economia portuguesa, e a viagem de Vasco da Gama deixou clara a importância da costa leste da África para os interesses portugueses: os seus portos forneciam água potável, víveres e madeira, serviam para reparos e como abrigo para os navios esperarem em tempos desfavoráveis (aguardando a monção, ou abrigando-se de ataques). Um resultado significativo desta exploração foi a colonização de Moçambique pela Coroa Portuguesa.
Embora o rei D. Manuel tenha compreendido a importância das suas mercadorias, apesar de escassas, as conquistas de Vasco da Gama foram um pouco abscurecidas pelo seu fracasso em trazer bens comerciais de interesse para as nações da Índia. Além disso, a rota de mar estava repleta de perigos - a sua frota levou mais de trinta dias sem ver terra e apenas 60 dos seus 180 companheiros, numa das suas três naus, regressaram a Portugal em 1498. No entanto, esta jornada abriu a rota do cabo direta para a Ásia. Na segunda armada à Índia, de Pedro Álvares Cabral, seria feita uma demonstração de poder, com dez vezes mais navios e tripulação.
Da sua esposa, D. Catarina de Ataíde, Vasco da Gama teve sete filhos. Alguns acompanharam-no e vieram a desempenhar importantes cargos no Oriente: Francisco, segundo Conde da Vidigueira; Estêvão, 11ºgovernador da Índia; Paulo; Cristóvão, um mártir na Etiópia; Pedro, Isabel de Ataíde e Álvaro da Gama, Capitão de Malaca [22].
O poema épico "Os Lusíadas" de Luís Vaz de Camões, centra-se em grande parte nas viagens de Vasco da Gama. A ópera "L'Africaine" composta em 1865 por Giacomo Meyerbeer e Eugène Scribe inclui a personagem de Vasco da Gama, interpretada em 1989 na San Francisco Opera pelo tenor Placido Domingo. [15] O compositor do século XIX, Louis-Albert Bourgault-Ducoudray, compôs uma ópera em 1872 de mesmo nome, baseada na vida e explorações maritímas de Vasco da Gama. A cidade portuária de Vasco da Gama, em Goa, é nomeada em sua memória, como o é a "cratera de Vasco da Gama" na lua. Existem três clubes de futebol no Brasil (incluindo o Club de Regatas Vasco da Gama) e o Vasco Sports Club, em Goa, também nomeados em sua homenagem. Uma igreja em Cochim, Kerala, a Igreja Vasco da Gama, e o bairro Vasco na Cidade do Cabo, também o homenageiam.

PEDRO ÁLVARES CABRAL - foi um fidalgo e navegador português, comandante da segunda viagem marítima da Europa à Índia, viagem em que se descobriu o Brasil, a 22 de Abril de 1500.
Acredita-se que nasceu na Beira Baixa (Portugal), em 1467 ou 1468. Foi o terceiro filho de Fernão Cabral, governador da Beira e alcaide-mor de Belmonte, e de Isabel de Gouveia de Queirós. O seu nome original seria Pedro Álvares Gouveia, pois geralmente apenas o primogênito herdava o sobrenome paterno. Posteriormente, com a morte do irmão mais velho, teria passado a usar o nome Pedro Álvares Cabral, uma vez que, a 15 de fevereiro de 1500 — quando recebeu de D. Manuel I (1495-1521) a carta de nomeação para capitão-mor da armada que partiria para a Índia —, já usava o sobrenome paterno.
Neto de Fernão Álvares Cabral, que exercera as funções de guarda-mor do Infante D. Henrique, os seus biógrafos remontam o seu título de nobreza, a um terceiro avô, Álvaro Gil Cabral, alcaide-mor do Castelo da Guarda sob os reis D. Fernando (1367-1383) e D. João I (1385-1433), da dinastia de Avis, que teria recebido por mercê as alcaidarias dos castelos da Guarda e Belmonte, com transmissão à descendência. Esses domínios, lindeiros à Espanha, eram terras de pastorícia, origem dos símbolos das cabras passantes do escudo de armas da família Cabral.
Aos onze anos de idade, Pedro mudou-se para o Seixal (onde ainda hoje existe a Quinta do Cabral), vindo a estudar em Lisboa Literatura, História e Ciência (como, por exemplo, Cosmografia), além de artes militares. Na Corte de D. João II (1481-1495), onde entrou como moço fidalgo, aperfeiçoou-se em cosmografia e marinharia.
Com a subida ao trono de D. Manuel I (1495-1521) foi agraciado com o foro de fidalgo do Conselho do Rei, o hábito de cavaleiro da Ordem de Cristo e uma tença, pensão em dinheiro anual.
A Armada de 1500

Nau de Pedro Álvares Cabral no Livro das Armadas (Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa).
Em 1499, foi nomeado pelo soberano como capitão-mor da armada que se dirigiria à Índia após o retorno de Vasco da Gama. Teria então cerca de trinta e três anos de idade. A missão de Cabral era a de estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Samorim, reerguendo a imagem de Portugal após a apresentação do Gama, e instalando um entreposto comercial ou feitoria, retornando com o máximo de mercadorias.
A sua foi a mais bem equipada armada do século XV, integrada por dez naus e três caravelas, transportando de 1.200 a 1.500 homens, entre funcionários, soldados e religiosos. Era integrada por navegadores experientes, como Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, tendo partido de Lisboa a 9 de março de 1500, após missa solene na ermida do Restelo, à qual compareceu o Rei e toda a Corte.
O descobrimento do Brasil
Ver artigo principal: Descobrimento do Brasil
A 22 de abril, após quarenta e três dias de viagem, tendo-se afastado da costa africana, avistou o Monte Pascoal no litoral sul da Bahia. No dia seguinte, houve o contato inicial com os indígenas. A 24 de abril, seguiu ao longo do litoral para o norte em busca de abrigo, fundeando na atual baía de Santa Cruz Cabrália, nos arredores de Porto Seguro, onde permaneceu até 2 de maio.
Cabral tomou posse, em nome da Coroa portuguesa, da nova terra, a qual denominou de "Ilha de Vera Cruz", e enviou uma das embarcações menores com a notícia, inclusive a Carta de Pero Vaz de Caminha, de volta ao reino. Retomou então a rota de Vasco da Gama rumo às Índias. Ao cruzar o cabo da Boa Esperança, quatro de seus navios se perderam, entre os quais, ironicamente, o de Bartolomeu Dias, navegador que o descobrira em 1488.
Existe uma discussão entre os historiadores a respeito da intencionalidade ou não da chegada de Cabral ao território brasileiro, embora não existam evidências concretas a sustentar qualquer das hipóteses. Certo é, no entanto, que por esta data já se tinha, na Europa, o conhecimento da existência de terras a leste da linha do Tratado de Tordesilhas.
Ver artigo principal: Duarte Pacheco Pereira
A chegada à Índia

Réplica da caravela Anunciação de Pedro Álvares Cabral (Campinas, São Paulo, Brasil).
A Armada chegou a Calecute a 13 de setembro, após escalas no litoral leste africano. Cabral assinou o primeiro acordo comercial entre Portugal e um potentado na Índia. A feitoria portuguesa foi instalada mas teve efêmera duração: atacada pelos Muçulmanos em 16 de dezembro, nela pereceram cerca de trinta portugueses, entre os quais o seu escrivão, Pero Vaz de Caminha.
Após bombardear Calecute e apresar embarcações árabes, Cabral seguiu para Cochim e Cananor, onde carregou as naus com especiarias e produtos locais e retornou à Europa.
O retorno a Portugal
Cabral chegou a Lisboa a 31 de julho de 1501, sendo aclamado como herói, não obstante o facto de, das treze embarcações, terem regressado apenas quatro.
Convidado pelo soberano para comandar a nova expedição ao Oriente em 1502, Cabral desentendeu-se com o monarca acerca do comando da expedição: tendo recusado a missão, veio a ser substituído por Vasco da Gama. Em desgraça perante o soberano, não recebeu mais nenhuma missão oficial até ao fim da vida.
Em 1503 desposou D. Isabel de Castro, sobrinha de Afonso de Albuquerque, deixando descendência. Em 1518 era cavaleiro do Conselho Real. Foi ainda senhor de Belmonte e alcaide-mor de Azurara.
O fim da vida

Igreja da Graça, Santarém: túmulo de Cabral.

Estátua de Pedro Álvares Cabral, Santarém.
Faleceu esquecido e foi sepultado na Igreja da Graça da cidade de Santarém, segundo alguns em 1520, ou, segundo outros, em 1526.
Cabral é lembrado pelos brasileiros como aquele que descobriu o Brasil, sendo homenageado anualmente, a 22 de abril. Foi-lhe erguido um monumento na cidade do Rio de Janeiro (obra de Rodolfo Bernardelli). A cidade de Belo Horizonte homenageou-o, dando-lhe o nome a uma das suas principais vias, a Avenida Álvares Cabral.
Em Portugal, foi-lhe erguido um monumento em Lisboa, na avenida que recebeu o seu nome. Do mesmo modo, a sua terra natal homenageou-o com uma estátua, assim como a cidade onde está sepultado, Santarém.
Em 14 de Março de 1903 parte de seus restos mortais foram transladados para o Brasil, tendo sido depositados em um jazigo na Antiga Sé no Rio de Janeiro.

FERNÃO DE MAGALHÃES - Fernão de Magalhães[1] (Ponte da Barca, primavera de 1480Cebu, Filipinas, 27 de Abril de 1521) foi um navegador português, filho de Rodrigo de Magalhães e de Alda de Mesquita que, ao serviço do rei de Espanha, comandou a expedição marítima que efectuou a primeira viagem de circum-navegação ao globo. Foi o primeiro a atravessar o estreito hoje conhecido pelo seu nome (o Estreito de Magalhães) e o primeiro europeu a navegar no Oceano Pacífico. Fernão de Magalhães morreu nas Filipinas no curso daquela expedição, posteriormente chefiada por Juan Sebastián Elcano 1522.



Alista-se com 25 anos na Armada da Índia, numa frota de 22 navios, comandada por Francisco de Almeida, embora o seu nome não figure nas crônicas; sabe-se no entanto que ali permaneceu oito anos, que esteve em Goa, Cochim, Quíloa, acompanhou Diogo Lopes de Sequeira a Malaca, viagem que acabou em naufrágio e comanda uma nau na Batalha de Diu. No Oriente, Magalhães estabeleceu estreitas relações de amizade com Francisco Serrão, que veio a ser feitor nas Molucas; e dele teria tido informações quanto à situação dos lugares produtores de especiarias.
Em 1517 foi a Sevilha com Rui Faleiro, tendo encontrado no feitor da "Casa de la Contratación" da cidade um adepto do projecto que entretanto concebera: dar a Espanha a possibilidade de atingir as Molucas pelo Ocidente, por mares não reservados aos portugueses no Tratado de Tordesilhas e, além disso, segundo Faleiro, provar que as ilhas das especiarias se situavam no hemisfério castelhano.
Com a influência do bispo de Burgos conseguiram a aprovação do projecto por parte de Carlos V, e começaram os morosos preparativos para a viagem, cheios de incidentes; depois da ruptura com Rui Faleiro, Magalhães continuou a aparelhagem dos cinco navios que, com 256 homens de tripulação, partiram de Sanlúcar de Barrameda em 20 de Setembro de 1519. A esquadra tinha cinco navios e uma tripulação total de 234 homens.
Antonio Pigafetta, escritor italiano que havia pago do seu próprio bolso para viajar com a expedição, escreveu um diário completo de toda a viagem, possibilitado pelo fato de Pigafetta ter sido um dos 18 homens a retornar vivo para a Europa. Dessa forma, legou à posteridade um raro e importante registro de onde se pode extrair muito do que se sabe sobre este episódio da história.

Navio de Magalhães, o Victoria
A armada fez escala nas ilhas Canárias e alcançou a costa da América do Sul, chegando em 13 de dezembro ao Rio de Janeiro. Prosseguindo para o sul, atingiram Puerto San Julian à entrada do estreito, na extremidade da atual costa da Argentina, onde o capitão decidiu hibernar. Irrompeu então uma revolta que ele conseguiu dominar com habilidosa astúcia. Após cinco meses de espera, período no qual a "Santiago" foi perdida em uma viagem de reconhecimento, tendo os seus tripulantes conseguido ser resgatados, Magalhães encontrou o estreito que hoje leva seu nome, aprofundando-se nele. Em outra viagem de reconhecimento, outra nau foi perdida, mas desta vez por um motim na "San Antonio" onde a tripulação, sem que soubesse seu capitão-mor, iniciou uma viagem de volta (realmente estes completaram a viagem, espalhando ofensas contra Fernão de Magalhães na Espanha).
Apenas em novembro a esquadra atravessaria o Estreito, penetrando nas águas do Mar do Sul (assim baptizado por Balboa), e baptizando o oceano em que entravam como «Pacífico» por contraste às dificuldades encontradas no Estreito. Depois de cerca de quatro meses, a fome, a sede e as doenças (principalmente o escorbuto) começaram a dizimar a tripulação. No Pacífico que encontrou as nebulosas que hoje ostenta o seu nome - as nebulosas de Magalhães.
Em março de 1521, alcançaram a ilha de Ladrões no actual arquipélago de Guam, chegando à ilha de Cebu nas atuais ilhas Filipinas em 7 de abril. Imediatamente começaram com os nativos as trocas comerciais; boa parte das grandes dificuldades da viagem tinham sido vencidas. Dias depois, porém, Fernão de Magalhães morreu em combate com os nativos na Ilha de Mactan, atraído a uma emboscada.
A expedição prosseguiu sob o comando de João Lopes Carvalho, deixando Cebu no início de março de 1522. Dois meses depois, seria comandada por Juan Sebastián Elcano.
O regresso

Mapa da expedição: a vermelho a rota percorrida, e a verde indica-se o local onde faleceu Fernão de Magalhães.
Decidiram incendiar a nau Concepción, visto o pequeno número de homens para operá-la, e finalmente conseguiram chegar às Molucas, onde obtiveram seu suprimento de especiarias. Trinidad acabou ali permanecendo para reparos e a "Victoria" voltou sozinha para casa, contornando o Índico pelo sul, a fim de não encontrar navios portugueses. A Trinidad, após os reparos tentou seguir uma rota pelo Pacífico até a América Central, onde poderia contatar os espanhóis e levar sua carga, no entanto acabou tendo de retornar às Molucas onde seus tripulantes foram aprisionados pelos portugueses que haviam chegado. A nau "Victoria" dobrou o Cabo da Boa Esperança em 1522, fez escala em Cabo Verde, onde alguns homens foram detidos pelos portugueses, alcançando finalmente o porto de S. Lúcar de Barrameda, com apenas 18 homens na tripulação.
Uma única nau tinha completado a circunavegação do globo ao alcançar Sevilha em 6 de setembro de 1522. Juan Sebastián Elcano, a restante tripulação da expedição de Magalhães e o último navio da frota regressaram decorridos três anos após a partida. A expedição de facto trouxe poucos benefícios financeiros, não tendo a tripulação chegado a receber o pagamento.

DIOGO CÃO - foi um navegador português do século XV nasceu provavelmente na região de Vila Real em data desconhecida. Enviado por D. João II, realizou duas viagens de descobrimento da costa sudoeste africana, entre 1482 e 1486. Chegou à foz do Zaire e avançou pelo interior do rio, tendo deixado uma inscrição comprovando a sua chegada às cataratas de Ielala, perto de Matadi.
Estabeleceu as primeiras relações com o Reino do Congo.

Pedra de Ielala, com as inscrições de Diogo Cão
Em 1485 chegou ao Cabo da Cruz (actual Namíbia). Introduziu a utilização dos padrões de pedra, em lugar das cruzes de madeira, para assinalar a presença portuguesa nas zonas descobertas.
FREY GONÇALO VELHO - Gonçalo Velho, também referido como Gonçalo Velho Cabral (século XV) foi um navegador português, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e comendador de Almourol. Foi íntimo colaborador do Infante D. Henrique.
Embora seja comumente referido como Gonçalo Velho Cabral em fontes bibliográficas posteriores, é apenas como Gonçalo Velho que é mencionado na documentação coeva, muito embora fosse filho de Fernão Velho e de sua esposa, Maria Álvares Cabral.
A mando do Infante, terá descoberto os Ilhéus das Formigas em 1431, na sequência de uma primeira viagem para localizar as ilhas avistadas pelo piloto português Diogo de Silves, em 1427. Terá desembarcado nas ilhas de Santa Maria e de São Miguel (Açores), em 1432, nas quais introduziu gado miúdo. O seu povoamento, entretanto, só foi iniciado quando, na qualidade de Capitão Donatário, se dirigiu inicialmente a Santa Maria com colonos (1439) e depois a São Miguel (1444). Neste período promoveu queimadas e doou vastas sesmarias a parentes e criados fiéis.
A 3 de Abril de 1443 o rei Afonso V de Portugal, a pedido do Infante, privilegiou-o, por cinco anos, como Comendador das ilhas dos Açores, bem como aos seus povoadores, isentando-os do pagamento da dízima e de portagem de todas as coisas que trouxessem dessas ilhas para o reino.
Embora o cronista Gaspar Frutuoso atribua o descobrimento das sete ilhas dos Açores (ou seja, as ilhas dos Grupos Oriental e Central) a Gonçalo Velho, a moderna historiografia contesta essa informação uma vez que se acredita que, a ter descoberto alguma ilha do arquipélago, terão sido apenas as ilhas do Grupo Oriental.

(Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

1944 - Emissão Comemorativa do 2º Centenário do Nascimento de Avelar Brotero


Félix da Silva Avelar foi o nome de nascimento de Avelar Brotero, que nasceu em 25 de Novembro de 1744 em Santo Antão do Tojal, Loures (Portugal). Filho de José da Silva Pereira e Avelar, médico pela Universidade de Coimbra, e a sua mãe foi Maria René da Encarnação. Em consequência da morte prematura de seu pai e da insanidade mental que, posteriormente, acometeu a sua mãe, Brotero, em 1746, com apenas dois anos de idade, é confiado aos cuidados do seu avô paterno, Bernardo da Silva.
Com a morte do seu avô paterno, Félix de Avelar, aos oito anos de idade é entregue aos cuidados do seu avô materno, José Rodrigues Carreira Frazão, almoxarife dos paços reais de Mafra. Félix de Avelar, desde cedo, revelou vocação para as letras e ciências, e, aos sete anos de idade, por iniciativa do seu avô, inicia a sua formação escolar no Colégio dos Religiosos Arrábidos de Mafra, onde estudou, com o máximo aproveitamento, Língua Portuguesa, Latim, Retórica e Filosofia Racional. Foi por esta altura que despertou em si o gosto pelo cantochão, um canto litúrgico para o qual relevou bons dotes vocais.
Em 1762, morre o seu avô materno, que era o único familiar que lhe restava e que o podia apoiar. Assim, aos 19 anos Félix de Avelar vê-se só e sem sustento. Valendo-se do seu talento de cantor sacro, em 1763, obtém o lugar de capelão cantor da Igreja Patriarcal de Lisboa, que lhe concedia os rendimentos necessários sobreviver. Entretanto, continuou os seus estudos em latim e música, conseguindo ainda tempo para obter conhecimentos em Direito Canónico. Em 1768, foi ordenado diácono.
Em 1770, Félix de Avelar inscreveu-se na Faculdade de Cânones da Universidade de Coimbra, os cursos eram livres, bastava ir fazer os exames no fim do ano lectivo. Após cumprir com sucesso os exames em três anos seguidos, em 1772, viu-se obrigado a interromper a formatura. A reforma pombalina trouxe grandes mudanças à Universidade, uma delas foi a proibição de realizar exames sem frequentar os cursos. Os cursos livres terminaram e os estudantes passaram a ser obrigados a permanecer em Coimbra. Félix de Avelar não podia abdicar do seu lugar de capelão-cantor em Lisboa, o que o impediu de ir para Coimbra.
Decidido a seguir a carreira eclesiástica, conseguiu o subsídio de um moio de trigo no Almoxarifado de Reguengo de Alviela, com o intento de se ordenar. Contudo, nunca chegou a passar de diácono, tendo, porém, no decurso da sua vida, usado sempre trajes eclesiásticos.
O desempenho das funções de capelão cantor da Patriarcal de Lisboa deixava-lhe muito tempo livre para aprofundar os seus conhecimentos em Humanidades. Prosseguiu, assim, os seus estudos de latim e iniciou os de grego, língua que acabou por dominar. Chegou a dar aulas de grego e, inclusive, foi convidado para professor dessa cadeira na cidade da Baía, um convite que não pode aceitar.
Quando o Iluminismo chegou a Portugal e começou a ganhar adeptos, Félix de Avelar foi um deles. Quando reapareceram as Gazetas de Lisboa, em 1778, Félix de Avelar foi seu redactor. O amor que tinha pela Ciência, as ideias filosóficas que defendia e as ligações que tinha com Francisco Manuel do Nascimento (Filinto Elísio), levaram a que caísse na alçada do Santo Ofício. Em 5 de Julho de 1778, para escapar aos agentes de Pina Manique, deixa tudo para trás e emigra para França, na companhia do seu amigo Filinto Elísio. Em Junho do mesmo ano, chega a Havre. Sem recursos para subsistir, ruma para Paris, onde foi acolhido pelos portugueses ali residentes, entre os quais se encontrava o Embaixador de Portugal, Vicente de Sousa Coutinho, bem como outras figuras de vulto da política portuguesa, como o Fernandes de Lima, Francisco de Menezes e o médico Ribeiro Sanches.
Esta etapa da sua vida passada em Paris, foi de grande enriquecimento pessoal e científico para Brotero. É aqui que, seguindo a moda dos estudiosos de usarem nomes filantrópicos, acrescenta Brotero ao seu nome de nascimento, palavra que deriva do grego brohtos e eros, que significam amante dos mortais, passando-se a denominar Félix de Avelar Brotero.
Durante os 12 anos que permaneceu em Paris, frequentou assiduamente aulas de História Natural, tendo tido, como professores, figuras proeminentes do Museu de História Natural de Paris, como Buffon, Lamarck, Jussieu, Valmont de Bomare, Vicq d’Azyr, Aubenton, entre outros. Brisson deu-lhe as lições de Botânica na Académie de Pharmacie, uma matéria onde se iria revelar um notável professor e cientista.
Terminados os estudos de História Natural, doutorou-se em Medicina pela Universidade de Reims, em virtude de as cartas de curso serem, ali, bem mais baratas do que em Paris. Dada á sua extrema sensibilidade deixou de exercer medicina e dedicou-se exclusivamente ao estudo da Botânica. Enquanto estudava, Brotero, obtinha rendimentos através da venda de trabalhos originais e traduções aos livreiros parisienses.
Em 1788, publica, em Paris, o seu “Compendio de Botanica, ou Noçoens Elementares desta Sciencia, segundo os melhores Escritores Modernos, espostas na Lingua Portugueza”. Um livro notável destinado aos cursos universitários. As matérias estão bem ordenadas e expostas com clareza e rigor. Esta obra inclui o «Diccionário de termos Botânicos», que tem servido de referenciado aos muito botânicos portugueses que o sucederam.
Com o emergir da revolução francesa, Brotero, com desgosto com a evolução dos acontecimentos, em 1790, regressou a Lisboa, mais uma vez na companhia de Filinto Elísio.
Em 13 de Março de 1791, Brotero foi graduado gratuitamente pela Faculdade de Filosofia de Coimbra, sem defender teses nem fazer exame privado. Foi-lhe entregue a regência da cadeira de Botânica e Agricultura (1791-1811), bem como a direcção de obras do Jardim Botânico, que se encontravam ainda pouco adiantadas. As grandes facilidades concebidas a Brotero na sua nomeação para Lente colidiram com os interesses e promoções dos professores em funções, que acolherem o botânico com grande hostilidade. Uma situação que se perpetuou por muito tempo e que, em muitos momentos, isolou Brotero, que se refugiou no seu trabalho com o professor e cientista para esquecer as mágoas deste enredo.
Sob a direcção de Brotero o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra alcançou um desenvolvimento extraordinário. Reestruturou as alas já construídas, edificou novas alas, construiu infra-estruturas e redireccionou as funções do Jardim. Instalou as Escolas Sistemáticas, dispostas segundo o Sistema Sexual de Lineu. A dinâmica do Jardim estava centrada no estudo das plantas medicinais, para os estudantes de medicina, Brotero abriu o Jardim a outras áreas científicas, tornando-o num balão de ensaio para os vários ramos da Agricultura e estudos de Botânica.
Povoou os canteiros do Jardim botânico com plantas provenientes do país e do estrangeiro, destinadas ao ensino dos estudantes de Filosofia e Medicina. Sob a sua direcção foi construída a porta de D. Maria I.
Não havia nenhum herbário de plantas de Portugal. Brotero começou a fazer herborizações e colecções de plantas em herbário. Um contributo que revelou essencial para o estudo da flora portuguesa.
É autor de várias obras científicas de botânica de grande qualidade, entre as quais se encontram a «Phytographia Lusitaniae Selectior», dividida em dois tomos, publicados em 1816 e 1827, respectivamente, e a «História Natural dos Pinheiros, Larices, e Abetos», publicada em 1827. Grande relevo se deve dar à «Flora Lusitanica», publicada em 1804, em dois volumes, a primeira obra a retratar a diversidade florística portuguesa, servindo de base para todas as floras que, posteriormente, surgiram em Portugal. Num trabalho de 10 anos, apresentou 1885 espécies, primorosamente descritas em latim, algumas delas espécies novas (100), ordenadas pelo Sistema Sexual de Lineu.
Nas suas aulas de Botânica usava compêndio que produziu em Paris, e para as matérias de agricultura elaborou o compêndio “Princípios de Agricultura Philosophica”, que trata de fisiologia vegetal, obra que nunca chegou a ser impressa na totalidade, mas de que existe um manuscrito completo na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa.
Em 1807, o avanço das invasões francesas alcançou Coimbra, obrigando Brotero a mais uma mudança, desta feita, para se refugiar em Lisboa. A sua casa foi incendiada e muitos dos seus livros destruídos. Só em 1810 é que voltou a Coimbra, com vista a iniciar diligências para ser jubilado. É jubilado por Carta Régia de 27 de Abril de em 1811 e Decreto de 16 de Agosto de 1811. Partindo, novamente, para Lisboa, para ocupar o lugar que pretendia de Director do Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda, onde já prestara serviço pela ocasião da revolução francesa. Põe mãos à obra e dedica-se a reorganizar o Museu e o Jardim, mas como a passagem do Comissário francês para as Ciências e Artes, Geoffroy de Saint-Hilaire, levou tudo quanto poderia interessar ao Museu de Paris, tornou a reorganização do Museu impossível, mas o Jardim Botânico foi reabilitado e o respectivo catálogo elaborado.
Em 1821, foi eleito deputado às Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes, pela província da Estremadura. Participou na discussão da lei dos cereais, onde exortou os agricultores a cultivarem centeio e trigo, para que fosse possível produzir pão para toda a população e a um preço acessível à bolsa de todos. Depois de ter assistido aos trabalhos legislativos durante 4 meses, pediu dispensa, que lhe foi prontamente concedida. Dada a sua idade avançada, as forças já lhe iam faltando.
Detinha o título de Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Avis, uma ordem religiosa militar de cavaleiros portugueses centenária.
Como homem devoto à Ciência, foi muito activo. O seu nome consta como membro da Linnean Society de Londres e da Royal Horticultural Societ. Também foi sócio de várias academias, entre as quais se encontram: a Academia Real das Ciências de Lisboa, a Academia de História Natural e Filomática de Paris, a Academia Fisiográfica de Lunden da Suécia, a Academia de História Natural de Rostock e a Academia Cesarea de Bona.
Morreu em 4 de Agosto de 1828, em Alcolena de Belém (Lisboa). Tendo sido sepultado na igreja de S. José de Riba-Mar.
O prestígio de Brotero entre os Botânicos da sua época era grande. Em sua homenageado foram designadas várias plantas com o seu nome, como é o casa da Brotera ovata e da Brotera trinervata.
Em 1873, Júlio Henriques foi nomeado director do Jardim Botânico. Reconhece o trabalho de Brotero, cria, em 1880, em sua homenagem, a Sociedade Broteriana e retoma os trabalhos de herborização de Brotero. A estátua de Avelar Brotero que prostra no Jardim Botânico de Coimbra e que procura imortalizar este grande botânico, também foi fruto do empenho pessoal do Dr. Júlio Henriques.




Esta emissão, foi desenhada por Martins Barata, representando o ilustre cientista e a estátua do mesmo no Jardim Botânico de Coimbra.

A gravura dos desenhos dos selos de $10 e 1$75, é de autoria de Gustavo de Almeida. Os restantes selos de $50 e 1$00, são de autoria de Marcelino Norte. Tipografados na Casa da Moeda, em papel liso, fino ou médio, com denteado 11,5 x 12, foram postos em circulação a 23 de Novembro de 1944 e retirados a 1 de Abril de 1948.


(Baseado em Livros Electrónicos de Carlos Kullberg)

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

1944 - Emissão Comemorativa da 3ª Exposição Filatélica Portuguesa





















Envelope da empresa J. Lavado & Cia. circulado com selo de 1$75 da série 3ª Exposição Filatélica Portuguesa 1944. Circulado a 03-07-1945 de Lisboa para a Pensylvania.





Emissão constituida por quatro valores, foi desenhada por Alberto de Sousa, representando um postilhão e no canto superior direito, o Escudo Português. A gravura é de Arnaldo Fragoso e a série foi impressa na Imprensa Nacional Casa da Moeda.
O papel é liso, médio ou espesso em folhas de cem selos com denteado 11,5.
Os valores de cada selo são de $10, $50, 1$00 e 1$75, sendo este último o representado na imagem.
O período de circulação desta emissão foi de 20 de Maio de 1944 a 1 de Abril de 1948.

(Baseado em Livros Electrónicos de Carlos Kullberg)


Segundo o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, volume 2 pág. 2922, Postilhão 1. (Do it. postiglione, de posta correio) (...) Homem encarregue de de transportar, a cavalo e com rapidez, notícias ou correspondência entre várias localidades; homem encarregue da correspondência postal. 2. Boleeiro de diligência ou mala-posta. 3. Mensageiro.
Já no início deste Blogue falei da necessidade que o Homem tem de se comunicar. Olhando para a nossa História, o Correio é também uma forma de comunicação.
Ao longo dos tempos, foram várias as formas de fazer chegar as mensagens aos seus destinatários. Os Faraós no Antigo Egipto, mandavam os Mensageiros a pé entregar as Leis, mais tarde, os Persas foram os que deram um grande desenvolvimento ao Correio, utilizando para isso os cavalos. A informação chegava muito mais rápidamente. Os Romanos mantinham um serviço regular de correio Cursus Publicus.
No nosso país, os senhores incumbiam os seus vassalos de transportar o correio até que, em 1520, D. Manuel, mandou passar uma carta de Correio-Mor a Luis Homem, cavaleiro de sua casa, ficando definido o correio público que, durante muitos anos, continuou a utilizar o cavaleiro (postilhão) levando o correio na mala-posta ao destino.
Com o passar do tempo, e a reforma postal de Rolland Hill, o surgimento do primeiro selo no Mundo e mais tarde em Portugal, os Correios tiveram uma enorme evolução.
O selo, de facto, foi um elemento importantíssimo no envio das cartas. Mas, também como já disse aqui, o Progresso continua! E o selo hoje já não é tão utilizado nas cartas, nem estas são tão usadas devido ao aparecimento do correio electrónico.
Esta 3ª Exposição Filatélica Portuguesa, foi realizada na Sala Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa, de 20 a 30 de Maio de 1944 onde, além da série comemorativa, estiveram muitas outras colecções de selos, as melhores a nível nacional.
Foi também emitido um bloco com os quatro selos que compõem a série.

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

1943 - Emissão Comemorativa do 1º Congresso de Ciências Agrárias



Foi pedido aos CTT através da secretaria deste Congresso, que fosse feito com o seu timbre, um selo para marcar a efemérie. O pedido foi autorizado e o trabalho entregue a Álvaro Duarte de Almeida, que copiou o "Timbre Oficial" desenhado por Mário Costa.

Impressos na Casa da Moeda em papel liso, fino ou médio, em folhas de 100 selos com denteado 11,5.

Circularam desde 1 de Outubro de 1943 até 1 de Abril de 1948.


(Baseado em livros electrónicos de Carlos Kulberg)



A base da nossa alimentação vem toda da agricultura. À nossa mesa, as verduras cruas, cozidas, as batatas, o arroz, os frutos, são todos produzidos pelos agricultores que trabalham a terra para que esses bens nos possam chegar à mesa.

Chama-se a isto "Ciência Agrária". Ciência, porque nos traz conhecimento.

Nem toda a gente sabe como plantar couves, batatas, em que épocas, a arte de fazer o vinho, a poda das árvores, tudo tem o seu quê que é preciso saber.

O Conhecimento passa também pela Agricultura.

Conhecer, não é só ir à escola aprender aquilo que os professores nos ensinam. A maior escola que qualquer pessoa tem, é a Escola da Vida e, como diz o ditado, "o Saber não ocupa lugar".

Por vezes, senão a maior parte delas, sentamo-nos à mesa a tomar as nossas refeições, mas nem pensamos como nos chegaram até ali, o processo por que passaram.

Sobretudo nas grandes cidades, em que alguns meninos dizem que o leite vem do pacote! (Aquele que compramos no supermercado).

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

1943 - Tipo "Caravela"




Nas nossas emissões, estava a faltar algo que nos continuasse a dignificar enquanto povo.
Já se tinham emitido selos da Nacionalidade, Camões, Lusíadas e faltava enaltecer o feito dos Portugueses Além-mar com a emissão aqui exposta: Caravela.

Esta emissão nasce por proposta do Sub-Secretário de Estado das Comunicações, em que este membro do Governo, sugeria uma emissão base que tivesse o Escudo de Portugal, a bandeira da Mocidade Portuguesa e uma Caravela.

O artista Martins Barata, escolhe o tema "Caravela"em 1940, que depois de estudadas as cores e as franquias, foram remetidos à Casa da Moeda em 1941, que apresentou os primeiros esboços em Fevereiro de 1942. Em Março e Abril, estes selos foram emitidos, saindo de circulação em 1 de Novembro de 1957.


(Baseado em Livros Electrónicos de Carlos Kulberg)



O que é uma Caravela

Barco de pequenas dimensões, menor do que uma nau, era usado para pequenos trajectos no mar. Sobretudo entre as naus e terra, no século XIII.

Aprefeiçoadas no século XV, serviram para os Descobrimentos, por serem pequenas, ágeis e terem velas triangulares em três mastros, o que lhe dava uma maior velocidade.

Embora de pequeno porte, algumas destas embarcações vieram da Índia para Portugal.

Sabe-se hoje, através de estudos feitos por Quirino da Fonseca, Jaime Cortesão, Damião Peres e poucos mais que, já aquando das conquistas muçulmanas no norte de África que culminou com a Península Ibérica, novas ideias da prática marítima foram pelos Portugueses aproveitadas.

Assim, somos levados a pensar que toda a bolina que este navio possuía, era devido ao seu baixo porte, umas vezes coberto, outras de boca aberta, de velame latino bastardo, com um mastro a meio ou dois ou três mastros e nestes dois últimos casos, sempre maior o de vante e sempre a meia nau. Para a ré desciam mastros - mastro grande, mezena e contra-mezena - e velas, exigindo a última um bataló. A popa seria redonda e sobre ela existia um castelo de um só pavimento, isto se conclui de pinturas e desenhos do começo do século XVI, os primeiros documentos plásticos conhecidos.

(Baseado na Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, volume 5 pp 1288 a 1290)


A imagem, é de uma carta circulada para os Estados Unidos, com alguns selos que constituem a emissão

segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Pão Traidcional Português - FDC - Notas técnicas


Para terminar a história do Pão Tradicional Português, apresento o FDC e respectivas notas técnicas.

A emissão foi desenhada no Atelier Acácio Santos/Elizabete Fonseca, em papel de 102 mg. O formato dos selos é 40 x 30,6, a picotagem é 13 x Cruz de Cristo em folhas de 50 selos.

Foram emitidos 330 000 selos de 0,32€, 330 000 selos de 0,32€, 230 ooo seos de 0,42€, 230 000 seos de 0,47€, 230 000 selos de 0,68€, 230 000 selos de 0,68€ e 299 000 selos de 0,80€.

sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Pão Tradicional Português - Bolo do Caco (Madeira)


Antigamente, este pequeno pão de trigo, redondo e achatado era cozido sobre um caco de telha aquecido nas brasas, particularidade que deu origem ao seu nome. Aliás, há diferentes maneiras de o cozer: sobre uma chapa de ferro, numa frigideira, no fundo de uma panela de barro ou de ferro, ou sobre uma laje chamada “pedra de tufo”, sendo que todos estes utensílios estão a escaldar. O bolo do caco leva batatas-doces, alho, farinha de trigo, fermento de padeiro, água e sal. Costuma ser um pão de fabrico caseiro, mas é fácil comprá-lo aos vendedores ambulantes que o confeccionam em grandes alguidares de barro e o cozem em fogões instalados na rua, já que o hábito é comê-lo quente. A cozedura é rápida; quando o bolo adquire uma crosta fina ligeiramente queimada, vira-se com a mão ou com uma espátula, e deixa-se cozer do outro lado. Depois, abre-se ao meio, cobre-se com salsa picada e barra-se com manteiga de alho que se derrete e embebe o miolo.


(In: Pagela dos CTT)