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Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

Conservação das espécies filatélicas







Depois de todo aquele processo de retirar o selo do papel, enxugá-lo, escolher aqueles em bom estado e colocá-los na nossa colecção, temos de ter em conta também o local onde as nossas colecções de selos vão ser guardadas.
E porquê?
Se a guardarmos num sítio húmido, os selos começam a ganhar também humidade, aparece a ferrugem no selo - manchas castanhas que em contacto com outras espécies de selos pode danificá-las - e, se por acaso alguns selos tiverem vestígios de cola, poderão agarrar-se originando o início de todo o processo - voltarem à água para serem descolados.
Para evitar todos estes aborrecimentos, as nossas colecções devem ser guardadas em sítios secos e abrigados da luz.
Se vivermos numa habitação húmida, devemos utilizar produtos que nos ajudem a proteger da humidade e que devem ser colocados no sítio onde guardamos a colecção para afuguentar também insectos que poderão estragar as espécies.
Tal como nos livros, a traça dos livros ou peixinho-de-prata, pertence à Ordem Thysanura. As espécies mais conhecidas são a Lepisma saccharina e Thermobia domestica, espécies domésticas que ocorrem em habitações. O seu aspecto lembra um peixe prateado, daí um dos seus nomes em inglês ser "silverfish".
Estes insectos são desprovidos de asas, apresentam o corpo alongado, com apêndices caudais longos e delgados, muito característicos. O nome da ordem significa: thysanus (do grego, franja ou fimbria) e oura (do grego, cauda).
A Lepisma saccharina é de cor cinzenta, mede aproximadamente 1,3 cm de comprimento e é encontrado frequentemente em lugares húmidos e frescos. A Thermobia domestica é de cor bronzeada ou pardo, tem o tamanho mais ou menos do Lepisma e frequenta lugares quentes, preferindo fornalhas, aquecedores e tubos de calefacção.
Alimentam-se de todos os tipos de substâncias amiláceas e frequentemente tornam-se pragas. Nas bibliotecas alimentam-se do amido dos livros, encadernações e etiquetas; em residências alimentam-se do amido de roupas, cortinas, lençóis, sedas e da pasta de amido do papel de parede; nos armazéns alimentam-se de papel, vegetais e alimentos que contêm amido. Raramente atacam roupas de lã e outros produtos de origem animal.
Ora, perante estas pragas, devemos de tempos em tempos "arejar" a nossa colecção, verificar se não há vestígios de tais insectos.
Como podem ver na figura do selo de D. Maria II de 25 reis, por cima da efígie da Soberana, encontra-se um buraquinho causado pelos insectos que também aqui vos mostro.
É um selo antigo, o primeiro selo português que, embora estragado devido ao buraco provocado pelo bicho, não quis deitar fora e está na minha colecção.
É fundamental a conservação das espécies filatélicas para que estes males não aconteçam e venham a estragar toda uma colecção.
Há meios de evitar a propagação da traça e do peixinho-de-prata:
•Controlar ou eliminar pontos de humidade, tais como rotura de canalizações.
•Evitar acumulação de jornais, livros e revistas velhas ou outras fontes de alimento.
•Selar frestas e ranhuras na estrutura, onde estes insectos se podem abrigar.
•Evitar a entrada de material proveniente de locais com histórico de infestação por traças (caixas de papelão, pilhas de livros, jornais, revistas, etc.).
•Limpar periodicamente livros e outros materiais que podem servir de alimento.

1 comentários:

Anónimo disse...

um trabalho bem estruturado e com uma informação muito bem desenvolvida