O Arquivo Nacional da Torre do Tombo remonta ao século XIII, mas só aparece documento em 1378, ano em que o Arquivo Real foi instalado no castelo de São Jorge.
O facto de nela se encontrar depositado o antigo livro de "Recabedo Regni", fez com que passasse a ser referida como a "Torre do Tombo", designação vulgarizada no tempo de D. João I, e que se afirmou no tempo, identificando actualmente, uma das instituições mais antigas de Portugal.
A documentação do Arquivo da Casa da Coroa1 ou Arquivo Real constituiu o primitivo núcleo da Torre do Tombo.
Com funções semelhantes às de um arquivo dos nossos dias, conservava toda a documentação relativa à Fazenda (Finança
s), os livros da Chancelaria régia (Registos da actividade governativa), os forais, os tombos de demarcações (Registos de propriedades), as sentenças do juiz dos Feitos da Coroa, os diplomas de instituição de morgados e capelas, os testamentos, os documentos resultantes de actos de diplomacia (os tratados de casamento, de pazes,
de limites, de divisão do mundo para sua exploração), os documentos produzidos no âmbito da expansão marítima.
Incluiu também a documentação “das partes” - pessoas singulares e colectivas – que mediante requerimento dirigido ao rei, obtinham autorização para confiar à Torre do Tombo a guarda de alguns dos seus documentos, originais ou cópias autênticas, garantindo a fidedignidade dos documentos apresentados e permitindo o exercício de direitos.
No dia 1 de Novembro de 1755, a torre ruiu durante o terramoto. A documentação foi recolhida dos escombros, e guardada, temporariamente, numa barraca de madeira, construída na Praça de Armas. Em 26 e 27 de Agosto de 1757, foi transferida provisoriamente para uma parte do edifício do Mosteiro de São Bento da Saúde. Esta situação manteve-se até à inauguração das novas e modernas instalações actuais, em 1990, situadas na Alameda da Universidade.
O Liberalismo proporcionou uma nova vaga de incorporações de documentação de instituições extintas,
salientando-se os dos conventos e o arquivo do Tribunal de Santo Ofício, vulgarmente conhecido como Arquivo da Inquisição. Nesta linha insere-se a publicação do Decreto de 2 de Outubro de 1862, que determinou a incorporação dos documentos anteriores a 1600, sendo o mais antigo datado do século IX (8822), testemunhando vivências e acontecimentos anteriores à fundação da nacionalidade portuguesa.
Com a implantação da Republica, o Arquivo Nacional, foi colocado na dependência da Direcção-Geral da Instrução Pública, no Ministério do Reino, e acentuou a função de conservação e valorização dos manuscritos, absorvendo posteriormente os livros paroquiais, com particular incidência nos registos de baptismo, casamento e óbito que constituem hoje uma das melhores fontes para o conhecimento da população portuguesa.
Em 1992, com o Decreto-Lei nº 106-G/92, de 1 de Junho, deu-se a fusão da Torre do Tombo com o Instituto Português de Arquivos, criado em 1988 para coordenar a política nacional de arquivos.
O Decreto-Lei n.º 93/2007, de 29 de Março, cria na dependência do Ministério da Cultura, a Direcção-Geral de Arquivos (DGARQ), sucedendo esta nas atribuições até aqui cometidas ao Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT) e ao Centro Português de Fotografia (CPF) que foram extintos e objecto de fusão, mantendo, todavia, as respectivas identidades.
Esta reforma entendeu recuperar a identidade própria do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, atribuindo-lhe competências na gestão dos novos arquivos electrónicos, a par do mandato explícito para dar execução à lei que estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural, na sua vertente de património arquivístico e património fotográfico.
Um património cultural para ser partilhado por todos
Os fundos detidos pela Torre do Tombo, mais de 1000 fundos documentais, ocupando cerca de 90 Km de extensão, destacando-se, porque universal, a colecção «Corpo Cronológico», composta por 83.000 documentos que
recentemente passou a integrar a lista da UNESCO de Registo da Memória do Mundo, o equivalente à marca de Património Mundial.
1 A Torre do Tombo na viragem do milénio. Coord, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2000. ISBN:
972-8107-61-7.
2 Fundação da igreja de Lardosa, Ordem de São Bento, Mosteiro de São Pedro de Cete, mç. 1, doc. 1
O facto de nela se encontrar depositado o antigo livro de "Recabedo Regni", fez com que passasse a ser referida como a "Torre do Tombo", designação vulgarizada no tempo de D. João I, e que se afirmou no tempo, identificando actualmente, uma das instituições mais antigas de Portugal.
A documentação do Arquivo da Casa da Coroa1 ou Arquivo Real constituiu o primitivo núcleo da Torre do Tombo.
Com funções semelhantes às de um arquivo dos nossos dias, conservava toda a documentação relativa à Fazenda (Finança
s), os livros da Chancelaria régia (Registos da actividade governativa), os forais, os tombos de demarcações (Registos de propriedades), as sentenças do juiz dos Feitos da Coroa, os diplomas de instituição de morgados e capelas, os testamentos, os documentos resultantes de actos de diplomacia (os tratados de casamento, de pazes,
de limites, de divisão do mundo para sua exploração), os documentos produzidos no âmbito da expansão marítima.
Incluiu também a documentação “das partes” - pessoas singulares e colectivas – que mediante requerimento dirigido ao rei, obtinham autorização para confiar à Torre do Tombo a guarda de alguns dos seus documentos, originais ou cópias autênticas, garantindo a fidedignidade dos documentos apresentados e permitindo o exercício de direitos.
No dia 1 de Novembro de 1755, a torre ruiu durante o terramoto. A documentação foi recolhida dos escombros, e guardada, temporariamente, numa barraca de madeira, construída na Praça de Armas. Em 26 e 27 de Agosto de 1757, foi transferida provisoriamente para uma parte do edifício do Mosteiro de São Bento da Saúde. Esta situação manteve-se até à inauguração das novas e modernas instalações actuais, em 1990, situadas na Alameda da Universidade.
O Liberalismo proporcionou uma nova vaga de incorporações de documentação de instituições extintas,
salientando-se os dos conventos e o arquivo do Tribunal de Santo Ofício, vulgarmente conhecido como Arquivo da Inquisição. Nesta linha insere-se a publicação do Decreto de 2 de Outubro de 1862, que determinou a incorporação dos documentos anteriores a 1600, sendo o mais antigo datado do século IX (8822), testemunhando vivências e acontecimentos anteriores à fundação da nacionalidade portuguesa.
Com a implantação da Republica, o Arquivo Nacional, foi colocado na dependência da Direcção-Geral da Instrução Pública, no Ministério do Reino, e acentuou a função de conservação e valorização dos manuscritos, absorvendo posteriormente os livros paroquiais, com particular incidência nos registos de baptismo, casamento e óbito que constituem hoje uma das melhores fontes para o conhecimento da população portuguesa.
Em 1992, com o Decreto-Lei nº 106-G/92, de 1 de Junho, deu-se a fusão da Torre do Tombo com o Instituto Português de Arquivos, criado em 1988 para coordenar a política nacional de arquivos.
O Decreto-Lei n.º 93/2007, de 29 de Março, cria na dependência do Ministério da Cultura, a Direcção-Geral de Arquivos (DGARQ), sucedendo esta nas atribuições até aqui cometidas ao Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IAN/TT) e ao Centro Português de Fotografia (CPF) que foram extintos e objecto de fusão, mantendo, todavia, as respectivas identidades.
Esta reforma entendeu recuperar a identidade própria do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, atribuindo-lhe competências na gestão dos novos arquivos electrónicos, a par do mandato explícito para dar execução à lei que estabelece as bases da política e do regime de protecção e valorização do património cultural, na sua vertente de património arquivístico e património fotográfico.
Um património cultural para ser partilhado por todos
Os fundos detidos pela Torre do Tombo, mais de 1000 fundos documentais, ocupando cerca de 90 Km de extensão, destacando-se, porque universal, a colecção «Corpo Cronológico», composta por 83.000 documentos que
recentemente passou a integrar a lista da UNESCO de Registo da Memória do Mundo, o equivalente à marca de Património Mundial.
1 A Torre do Tombo na viragem do milénio. Coord, Maria do Carmo Jasmins Dias Farinha. Lisboa: IAN/TT, 2000. ISBN:
972-8107-61-7.
2 Fundação da igreja de Lardosa, Ordem de São Bento, Mosteiro de São Pedro de Cete, mç. 1, doc. 1
Fonte: Pagela dos CTT
Esta emissão saíu a 27 de Julho de 2011 e é uma homenagem que os CTT fazem a tão prestigiada Instituição.
0 comentários:
Enviar um comentário